Dificuldades para fazer a limpeza evidenciam jogo de empurra

DINHEIRO DE MEMÓRIAS

– Haitianos r etiram lembranças dos escombr os, que poderão ser vendidas, e obser vam a der r ubada de prédioJake Price / The New Y ork Times

Depois da e xplosão inicial da ati - vidade, contudo , o tr a balho de r e - moção dimin uiu. A utoridades in - ternacionais culpar am o go v erno haitiano de não ter assumido o con - tr ole e criado um plano par a r e - moção de escombr os e r eassenta - mento . Contudo , autoridades hai - tianas diz em que os próprios fi - nanciador es internacionais são len - tos demais par a tornar os escom - br os uma prioridade. – O que está acontecendo agor a poderia ter acontecido em março se não houv esse negligência da com u - nidade internacional – acusa um funcionário do Mi - nistério do Planeja - mento que pediu par a não ser iden - tificado . – Nós mes - mos não temos r e - cursos. P ar a Chuc k Prieur , vice-pr esidente do DRC-Haiti, a r e moção dos escom- br os não er a “atr aente” par a fi- nanciadores. – Ninguém quer limpar – obser - v a. – T odo m undo quer lustr ar coisas em que se possa colocar o nome. Lo go depois do terr emoto , Prieur esboçou um plano e cal - culou que a limpeza podia ser feita, teoricamente, em no v e meses. – Mas eu sa bia que no v e me - ses podiam ser no v e anos se as f orças não esti v essem mobiliza - das – comenta. J essica diz que a pr ocur a pela postur a perfeita – le v ando em con - ta pr eocupações ambientais – mos - tr ou-se “par alisante”, mas acr es - centa que os empr eiteir os têm um ponto de v antagem difer ente.

Renda feita com desastr es

Sempr e empr eendedor , P e r kins aca bou no r amo de r e cuper ação de desastr e por estar no lugar certo na hor a certa. P er kins a bandonou a f a culdade e se casou aos 19 anos. Ele er a paisagista no sul da Flórida quando o fur a cão Andr e w passou no estado , em 1992. Uma g r ande empr esa de enge - nharia pr ecisa v a de caminhões-ca - çamba, e ele os tinha. Assim nasceu a AshBritt Inc. – o nome f oi ins - pir ado nas filhas Ashle y e Brittan y . Depois do fur a - cão Katrina, o Cor - po de Engenharia do Exér cito dos EU A deu à Ash - Britt o que corr es - pondeu, segundo P er kins, a US$ 900 milhões em contr ato par a limpar escombr os. O terr emoto do Haiti f oi o primeir o desastr e internacional. Lo go depois do terr emoto , P e r- kins visitou o embaixador dos EU A, os ministr os haitianos e o pr esidente do país. Reuniu-se também com o G B Gr oup , con- glomer ado haitiano líder . A AshBritt tinha e xperiência em r ecuper ação de desastr es, e o GB er a dono de uma r ede de dis- tribuição , mantinha r elações com f ornecedor es locais e usufruía de ligações políticas. Os dois f orma- r a m o Haiti Reco v e r y Gr oup . P e r- kins construiu um acampamento base de luxo dentr o do comple xo industrial de 15 hectar es do GB. – Não tínhamos certeza de nada – conta P er kins. – A única coisa que podíamos f az er er a montar uma ope - r ação de primeir a classe e tr az er equipamentos de que pr ecisáv amos. Quando a r emoção de entulhos se tornou uma prioridade ur gen- te, pequenos passos er am dados. Dur ante r eunião em setembr o , a comissão de r econstrução do Haiti, comandada pelo pr emier J ean-Max Belleri v e e por Bill Clin - ton, apr o v ou um plano do Pr o g r a - ma de Desen v olvimento das Na - ções Unidas, de US$ 17 milhões, par a limpar seis bairr os – mas ape - nas uma pequena parte de US$ 1 bilhão em pr ojetos de r econstru - ção f oi apr o v ada até agor a. Ao mesmo tempo , o go v erno hai - tiano fixou uma meta par a limpar a ár ea do centr o da cidade até o fim de no v embr o , quando as eleições pr esidenciais estão pr o g r amadas. Gr ande limpeza e r econstrução não de v em acontecer até o pró - ximo ano , frustr ando empr esários como Prieur , embor a sua empr esa tenha a brigos par a tr a balhador es de construção e acampamento r e - sidencial par a as Nações Unidas. – Estou aqui, e gostaria de con - tin uar , e minha ganância ameri - cana me diz que eu gostaria de ter tudo nas mãos – r e v ela Prieur . – Mas a situação só de v e se r esolv er depois das eleições. Multidões se aglomer am par a v er as demolições. – É bonito – elo gia Ernst Saint Albor , 36, a o v er um prédio ir a bai - xo . – P ar ece destruição , mas é pr o - g r esso . Não dá mais par a v er prédios em ruína, é melhor que sumam.

Autoridades internacionais culpam o governo haitiano pela lentidão da r emoção

T radução: Maíra Mello e Victor Bar r o s