O maior fracasso da ONU

-->Congo vira o Afeganistão da África, e tem mulher es violentadas por gr upos r ebeldes-->Jef fr ey Gettleman-->THE NEW YORK TIMES-->Quatr o homens armados entr a- r am na ca bana de Anna Mbur ano e empurr ar am as crianças, der- rubando-as. Em seguida, bater am nas costas de Anna e a estupr a- r am. Não importa v a se as F orças de Man utenção da P az da ONU esti v essem esta belecidas na es- tr ada, ali perto . Ou que Anna es- ti v esse com quase 80 anos. Assim que terminar am, f o - r am de casa em casa, junto com centenas de outr os r e beldes sa - queador es, r aptando pelo me - nos 200 m ulher es. O que aconteceu no último dia 30 de julho , em Luvungi, pobr e vila de casas de sapê (e que contin uou por , no mínimo , três outr os dias), se tor - nou um pr oblema dolor oso par a a missão da Or ganização das Nações Unidas (ONU) na República De - mocrática do Congo . O ataque f oi à noite e, segundo r elatórios da ONU , ha via cer ca de 300 homens, uma mistur a de r e beldes ruandeses e lutador es de um no v o g rupo r e belde congolês, o Mai Mai Cheka. A pesar de mais de 10 anos de e xperiência e bilhões de dólar es in v estidos, a f orça de man uten- ção da paz ainda par ece f alhar em sua tar ef a m ais elementar: pr o- teger cidadãos. Os capacetes azuis da ONU são consider ados a última linha de de - fesa no leste do Congo , conside - r ando que o próprio Exér cito do país tem uma longa história de a b u - sos, a polícia ger a lmente se encon - tr a in visív el ou bêbada, e as mon - tanhas estão c h eias de r e beldes. Contudo , m uitos críticos afirmam que, em nenhum outr o lugar no m undo , a ONU in v estiu tanto e con - cluiu tão pouco . O que aconteceu em Luvungi, com as F orças de Ma - n utenção da P az não conseguindo r esponder por uma vila entr e fr on - teir as, é semelhante ao massacr e de Kiw anja de 2008, quando r e beldes matar am 150 pessoas ao alcance da v oz de uma base da ONU . – Congo é o fr acasso supr emo da ONU – conta Ev e Ensler , cujo g rupo de apoio , c h amado V -Da y , v em tr a balhando com m ulher es congolesas há anos. com unicáv eis; e o f ato perturbante de que, nas guerr as do Congo , o campo de batalha é m uitas v ez es os cor pos das m ulher es. Oficiais da ONU consider am a violência se xual no Congo a pior no m undo . Uma sensação de ameaça pair a sobr e toda esta ár ea, até mesmo nos postos a v ançados contr olados pelo go v erno . Várias m ulher es em Lu - vungi disser am que, depois de ter em sido estupr adas, os r e beldes canta - v am, como se esti v essem cele br ando alguma coisa. Anna Mbur ano , a do ataque de 30 de julho , f ala v a en - quanto sang rava n o c hão: – Ainda par eço doente. Somente algumas v er dur as f oi tudo o que comi desde que fui destruída. Ev e culpa uma administr ação pobr e, má com unicação e r acismo . – Se as m ulher es estupr adas f os - sem as filhas, esposas ou mães das elites poder osas, posso gar antir que esta guerr a teria aca bado há uns 12 anos – acr escenta Ev e. Oficiais da ONU admitem que as F orças de Man utenção da P az não conseguir am r eagir rápido o bastante no caso de Luvungi, em- bor a digam que a principal r e s- ponsa bilidade caiu sobr e o E xér- cito congolês, que contin ua em u m a g rave desor dem. – Senti-me culpado pelas pessoas que encontr ei lá – diz Atul Khar e, secr etário-ger al adjunto das F orças de Man utenção da P az, que visitou r ecentemente a vila de Luvungi. – Elas me disser am: “F omos estupr a - das, brutalizadas, dê-nos paz e se - gur ança”. Mas infelizmente não posso pr ometer isso . Nos cír culos das F orças de Ma- n utenção da P az, a República do Congo está se tornando conhe- cida como “o equi v alente africa- no do Afeganistão”, por causa da violência dur adour a e da comple- xidade dos conflitos, alguns pa- r ecendo insolucionáv eis. Luvungi, vila de cer ca de 2 mil ha bitantes, longe de tudo e de todos, r eúne vários dos principais pr oble - mas do Congo: luta aguerrida por miner ais; fr agmentação de g rupos r e v oltosos; incenti v os per v er sos en - tr e g rupos armados par a cometer atr ocidades a fim de r ef orçar em seus poder es de negociação; pobr e - za, que mantém vilas isoladas e in --->EM MASSA – Foi na isolada vila de Luvungi que Anna, 80 anos, e outras 200 mulher es sofr eram abusos-->Michael Kamber / The New Y o rk TimesT radução: Maíra Mello