Mistérios ocultos por trás de uma mera reivindicação salarial

-->Carlos Per eyra Mele-->ESPECIALIST A EM GEOPOLÍTICA SUL-AMERICANA-->Nas primeir as hor as da manhã de quinta-feir a, a América do Sul f oi sur pr eendida por uma r e belião das f orças policiais do Estado equatoriano – com o pr e - te xto de pr otestar pelo fim de uma série de pri vilégios. Não esta v a cla - r o no primeir o momento qual seria o comportamento das F orças Ar - madas ante esta ação sub v er si v a em fr anca atitude de desafio ao pr e - sidente da República. A r e belião iniciada de ma - n h ã s e a g ravava com atos de vio - lência ao pr esi - dente e a sua cus - tódia quando es - te se dirigiu ao quartel onde es - ta v am os principais líder es do gol - pe, par a intimar que r espondessem pelos seus atos. Esta atitude de - safiador a dos golpistas f oi acom - panhada por uma série de saques nas principais cidades do Equador , e videntemente planejados par a pr oduzir a sensação de v azio de poder e crise do go v erno . A atitude do pr esidente pr opor - cionou uma emboscada aos setor es militar es, que não sa biam àquela hor a se participa v am ou não de um golpe de Estado . O Equador , em sua r ecente his- tória política, tem vi vido momen--->CRISE NO EQUADOR-->Sociedade aber ta-->A Unasul está convocada a dizer que, agora, este continente não é mais quintal de ninguém-->tos de g r ande tensão e de atitudes desesta bilizador as permanentes, com pr esidentes depostos ou obrigados por militar es a toma- r em decisões a f a v or dos g rupos cor por ati v os (desde o ano 2000, o Equador te v e 11 pr esidentes, in- cluindo Raf ael Corr ea, que g o- v erna desde 2007). P or isso , a ati- tude decidida do pr esidente Cor- r ea, de enfr entar a base do golpe, r etor ceu o destino dos r e beldes já que, na noite de quinta-feir a, as F orças Armadas ha viam r atifica- do sua lealdade ao comandan- te-c hefe dos mesmos. Dado os antecedentes antes mencionados, não f oi uma ati- tude teatr al de Raf ael Corr ea per ante os r e - v oltosos, como se tem comen- tado em vários ór gãos de impr ensa. Dilui-se a possibilidade de um golpe de Estado no Equador , mas não de v emos per der de vista as consequências par a a r egião que causariam o triunf o do motim. Elas nos obrigam a analisar as várias ar estas nos bastidor es que corr em por trás desta espécie de “e xpe - rimento”, já que é a primeir a ação dir eta de um golpe de Estado tr a - dicional na América do Sul na pri - meir a década do século 21 (o outr o f oi no Caribe, na República de Hondur as). Isso le v a-nos a compr e - ender os moti v os do golpe a bor - tado , que se ocultam detrás de uma pseudorr ei vindicação salarial. O pr esidente Corr ea tem co- metido vários atos que causam uma onda de pr eocupação nos se- tor es de poder , e os mesmos f or am e xemplo par a outr os pr esidentes. Entr e eles de v emos destacar: a nacionalização do Banco Centr al, a “auditoria” da Dívida Externa, com isso f orçando o Fundo Mo- netário Internacional a r enego- ciar e a r ealizar g r andes cortes. De v e-se consider ar , em uma aná - lise geopolítica, que o Equador é o único país da Bacia do P acífico que não é aliado militar dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo , de v e se le v ar em conta que o país se tr ans - f ormou em um importante e xpor - tador de petróleo e que, ultima - mente, v em r ece bendo f ortes in - v estimentos c hineses, os quais des - locam r apidamente a influência econômica dos Estados Unidos no mesmo . T odos estes pontos ante - riormente citados serão a causa do motim e o moti v o do silêncio do Departamento de Estado ao r epu - diar ener gicamente a ação sub v er - si v a policial? O que de v e ficar clar o é que este “e xperimento” é uma men- sagem par a os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) – os quais têm r eagido de modo positi v o , com uma a r eunião de ur gência de seus pr esidentes na cidade de Buenos Air es, r atifi- cando o apoio a Corr ea e isolando os sub v er si v os. Este é u m no v o desafio à con- solidação da Unasul e d e v e per- mitir a confirmação da América do Sul como um espaço geopo- lítico e geoeconômico que f oi con- v ocado ao m u ndo m ultipolar em f ormação – e que não é mais quin- tal de ninguém. A insubor dinação aos moldes que nos planificam a globalização está se partindo e neste mar co de v emos entender esta r e v olta fr acassada. Não po - demos ac har que está em jo go a implementação da c hamada “r e v olução cidadã” de Corr ea, mas algo superior a nossas uni - dades administr ati v as políti - cas, como consequência da bal - canização a q u e f omos submeti - dos depois da separ ação do Reino Espanhol, há apenas 200 anos. Está em jo go a possibilidade da Amé - rica do Sul de ser um no v o poder entr e par es.-->O golpe não vingou, mas não per camos de vista as consequências que o motim traria para a r egião-->RAF AEL CORREA -->– Em meio aos distúrbios ocor ridos na capital, Quito, na última quinta, o pr esidente decidiu enfr entar as bases do golpe