Orlando Diniz, um retorno às origens?

A briga de foice que travam, desde o início de 2012, as lideranças das entidades patronais dos comerciários, com sucessivas ações judiciais que geraram inúmeras liminares, ora concedidas, ora cassadas, esconde uma batalha mais árdua que se aproxima.

Em 2014, vence o mandato do atual presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, que também acumula as presidências dos Conselhos Nacionais do Sesc e do Senac, Antônio Oliveira Santos. Ele, aos 84 anos, após 33 anos consecutivos acumulando os três cargos já fala em retirar-se de cena – muito embora alguns até duvidem.

Em sendo verdade, neste seu último ano de gestão será armado o tabuleiro da sucessão. Um dos nomes considerados é o primeiro vice-presidente, José Roberto Tadros, que preside a Federação do Comércio do Amazonas. Ele é quem tem substituído Oliveira Santos, como o fez agora, nas férias do manda-chuva da CNC. Tadros pode ser uma boa aposta no jogo da sucessão, ainda que não seja a única.

Neste jogo da sucessão, porém, o difícil de entender foi a forma com que o presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, Orlando Diniz, que sempre teve o olho grande na cadeira de presidente da CNC, movimentou suas peças no tabuleiro.

É certo que, depois de um longo período em que Oliveira Santos o apadrinhou, os dois entraram em rota de colisão. O desentendimento culminou com o presidente da CNC acatando a sugestão do Conselho Fiscal do SESC Nacional e decretando uma intervenção branca na Regional do Rio, o que afastou Diniz do cargo em que estava há 12 anos. Este, na justiça, conseguiu retornar à cadeira de presidente regional. Ao fazê-lo, retaliou todos que apoiaram o seu afastamento.

Agora, de uma maneira atabalhoada, ele recorreu novamente ao judiciário para afastar Oliveira Santos da presidência do CNC. O tiro, porém, pode ter saído pela culatra. Não só o velho líder conseguiu derrubar a decisão e retornar à sua antiga cadeira, como a maneira grosseira e os termos com “adjetivações indecorosa” utilizados, desagradaram a, pelo menos, 20 presidentes de Federações de Comércio que nesta sexta-feira expuseram sua repulsa em nota pública. Na reunião que tiveram na véspera, eles também votaram pelo afastamento de Diniz da vice-presidência da CNC.

Estes vinte presidentes com os quais Diniz se queimou fazem parte do colégio eleitoral de 27 votos que elegerá o sucessor de Oliveira Santos. Em síntese, o presidente da Fecomércio do Rio, agiu muito mais como açougueiro, sua antiga profissão, do que como o líder patronal que durante 12 anos lida com o mundo político. Parece ter sido um retorno às origens.