Dando o sangue pela bênção de Lula

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem intensificado suas agendas externas nos estados, de olho na indicação do PT para a disputa do governo do estado de São Paulo, em 2014. Para isso, vale até dar - literalmente - o próprio sangue.

Padilha tem tido uma agenda extensa de lançamento da Mobilização Nacional de Prevenção e Testagem para Sífilis, HIV e Hepatites B e C, campanha contra as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). A cada cidade - e ele já passou por Rio e São Paulo e hoje em Salvador, entre outras - o ministro faz questão de recolher sangue e fazer o teste rápido contra as DSTs. A insistência em furar os dedos para o procedimento tem até preocupado os assessores do Ministério da Saúde, que pedem que ele diminua o ritmo de eventos.

Só na última sexta-feira (30), além da campanha de mobilização contra as DSTs, Padilha ainda esteve, pela manhã, na Câmara Municipal carioca, na Cinelândia, onde recebeu o diploma de cidadão honorário e o conjunto de medalhas de Mérito Pedro Ernesto, além de ir ao campus da Fiocruz, em Manguinhos, no lançamento da Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), em que se possibilita a fabricação nacional do remédio Atazanavir, utilizado no tratamento de pacientes soropositivos.

O empenho de Padilha não é sem motivo. Vincular-se a uma iniciativa louvável no combate à Aids - área em que o Brasil é referência mundial - pode colar no ministro a imagem de competência que seria essencial para superar o prefeito de Santo André, Luiz Marinho, e os colegas de ministério Aluízio Mercadante (Educação) e Marta Suplicy (Cultura) na preferência de Lula. Depois de eleger o "poste" Fernando Haddad prefeito de São Paulo, o ex-presidente deve dar a palavra final também sobre a disputa estadual.