A liberdade de imprensa e as relações promíscuas

No relatório que apresentou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou a organização criminosa em torno do contraventor Carlinhos Cachoeira, o relator da CPMI, Odair da Cunha (PT-MG), bateu firme na revista Veja e no jornalista Policarpo Júnior, diretor publicação em Brasília.

“A liberdade de imprensa não alberga crimes e criminosos, não compactua com a falta de ética, não abarca a manipulação da verdade, não socorre aqueles que conspurcam com a boa fé dos cidadãos e cidadãs, enfim, não protege os estultos que empulham a sociedade e a democracia brasileira", diz o relator.

Após um detalhado relato em que analisa as relações do jornalista com o bicheiro, Cunha rechaça como “aviltante à inteligência e à própria dignidade das cidadãs e cidadãos deste País justificar os cerca de oito anos que sustentam a relação Cachoeira x Policarpo apenas como uma singela relação entre fonte e jornalista”.

Segundo diz, os dados captados pelas gravações telefônicas demonstraram que Policarpo “quando deveria denunciar e combater os criminosos (Cachoeira, Demóstenes e Cia) ele os promovia, os santificada. É um jornalismo que em nada contribui para o fortalecimento da cidadania e da democracia”.

Na sua análise ele conclui que "Carlos Cachoeira e seus asseclas alimentavam de informações o jornalista Policarpo e usavam as matérias assinadas e/ou pautadas pelo jornalista ou sua equipe como uma arma letal para prejudicar adversários, destruir personalidades e biografias, criar e promover de modo amiúde falsos moralistas e paladinos da ética, visando sempre alcançar o êxito político e econômico de sua organização criminosa".       

Já com relação ao jornalista, diz que pelos os captados pelas gravações telefônicas demonstraram que Policarpo “quando deveria denunciar e combater os criminosos (Cachoeira, Demóstenes e Cia) ele os promovia, os santificada. É um jornalismo que em nada contribui para o fortalecimento da cidadania e da democracia”.

A posição do parlamentar já está gerando críticas, não apenas entre parlamentares mas, principalmente entre jornalistas. Está certo que o relatório deixou a desejar com relação a aprofundamento das investigações em torno do dinheiro público que circulou no esquema Cachoeira. Nem por isto, porém, se deve deixar refletir sobre esta relação jornalista e fonte que acaba virando promíscua.

Afinal, a liberdade de expressão deve funcionar a favor da informação à sociedade e não a favor de sociedades espúrias.