Reitor ou assessor do governo?

Não é de hoje que os estudantes, servidores e até os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) estão em pé de guerra com o reitor da instituição de ensino, Ricardo Vieiralves.

Quando, no dia 23 de agosto, entre o Batalhão de Choque da PM usou bombas de efeito moral para dispersar um grupo de docentes e discentes que faziam passeata nas ruas do Maracanã, Vieiralves foi acusado de recorrer à polícia em vez de buscar a negociação e o diálogo. 

O reitor até responsabilizou o gerente de uma agência bancária da região pela convocação da polícia, mas não convenceu, nem tampouco conseguiu superar as rugas. Tanto assim que na votação do regime de dedicação exclusiva da Uerj, nesta quarta (26), na Assembléia Legislativa, os docentes manifestavam um ódio singular ao mesmo:

"Vieiralves caloteiro", berravam os mestres, em referência ao atraso no pagamento de salário dos professores contratados, que já dura dois meses.

Quando o líder do governo na Casa, André Corrêa (PSD), começou a consultar o reitor, no canto do plenário, sobre informações do orçamento da Universidade, a ira foi geral: "É assessor do Corrêa! E do Cabral também", indignou-se uma professora apontando para os dois, que cochichavam.

Logo, outro professo emendou: "É sempre assim: o reitor dá munição para o líder do governo ter argumentos para não aprovar nenhuma das emendas do nosso interesse", queixava-se outro. "O Vieiralves está sempre do lado do governo".