Frei Mateus Rocha, dominicano que driblou a pressão dos jesuítas

No próximo dia 24, o Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB) homenageará Frei Mateus Rocha, que foi reitor da universidade entre setembro de 1962 e janeiro de 1963. Depois, vice-reitor na gestão de Anísio Teixeira (junho de 1963/abril de 1964), foi afastado com o golpe militar que instituiu a ditadura no país. Com isto, recolheu-se a um sitio em Abadiânia (GO) e faleceu, em janeiro de 1985, em um acidente de trânsito na estrada.

Na década de 50, ainda em Belo Horizonte, ele foi responsável pela formação de diversos jovens, através dos movimentos conhecidos como JEC (Juventude Estudantil Catótica), JOC (Juventude Operária Católica) e JUC (Juventude Universitária Católica). Foi neles que se formaram politicamente adolescentes como Carlos Alberto Libânio Christo, Frei Betto, Hebert José de Souza, o Betinho, e seu irmão, Henrique de Souza Filho, o Henfil. Este, inspirou-se em frei Mateus para criar o personagem Fradim.

O que poucos sabem é que Darcy Ribeiro, quando quis convencer Juscelino Kubitschek a criar a Universidade de Brasília, teve que apelar a Frei Mateus, então provincial da Congregação Dominicana, para fazer frente aos jesuítas que pressionavam o presidente da República a só permitir a PUC na nova capital federal.

Diante do embate com os jesuítas, Darcy decidiu criar um Instituto de Teologia na nova universidade federal e ofereceu sua direção aos dominicanos. Frei Mateus recorreu ao superior mundial da Ordem em Roma, que conseguiu do então papa João XXIII um elogio por escrito à iniciativa. Com iste documento, Darcy obteve o apoio de Juscelino para criar a UnB. 

Na homenagem a Frei Mateus, também será exibido o filme Batismo de Sangue que conta a  a saga dos freis dominicanos - Betto, Ivo, Tito e Fernando - que foram presos pela ditadura militar por darem apoio logístico e políticos ao grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional (ALN), comandado por Carlos Marighella.