Até tu, Ratzinger?

É público e notório que a comunidade de informações não era conhecida pela precisão durante a Ditadura Militar, no que diz respeito às avaliações sobre o "perigo vermelho". Diversos relatórios de arapongas durante os anos de chumbo, divulgados pela imprensa, mostram teorias da conspiração sem muitos fundamentos, envolvendo personalidades ou anônimos.

Uma das vítimas foi o teólogo Leonardo Boff. Na época, ainda um jovem sacerdote católico, ele foi perseguido pelo regime por conta de seu papel nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), consideradas pelos generais um disfarce para células comunistas em solo brasileiro.

Mas, segundo Boff, não foram só os militares que ligaram as CEBs às células comunistas, também o então cardeal Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI, foi influenciado por "estas análises":

"Quando me interrogou, Ratzinger perguntou sobre isso. Eu pensei: 'até o Ratzinger?'", relembrou, citando o atual sumo pontífice na época em que era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.