À espera da contabilidade paralela

As informações que o Banco Central encaminhou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira com as despesas no exterior de cerca de 30 pessoas que de alguma forma são alvos das investigações - inclusive governadores e políticos - não sensibilizaram alguns parlamentares.

Afinal, ali constam as chamadas despesas oficiais, aquelas que são declaradas, tais como as que foram pagas com cartões de crédito, compras de dólares no mercado oficial, etc. O relatório apresenta, por exemplo, despesas quase insignificantes, de 100 ou 200 dólares, incluindo até compras via internet.

O interesse maior está nas contas paralelas, que o BC sequer ouviu falar que existem. São aquelas que a Polícia Federal rastreia com ajuda dos acordos de cooperação internacional que o Brasil firmou com mais de 100 países. Neste trabalho de varredura é que surgem contas mantidas no exterior, em especial em paraísos fiscais, nem sempre no nome dos verdadeiros donos.

São, normalmente, relatórios que demoram a chegar, mas quando chegam acabam trazendo dados mais do que relevantes, muitas vezes arrasadores.