Milícia: ação de cabos eleitorais será coagida com intenso policiamento 

Nas próximas eleições estaduais, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) vai se organizar para combater a ação de milicianos durante o dia da votação, com uma parceria com a Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, criando uma "zona de exclusão" nos locais que costumam ter a presença dos criminosos.

O presidente do TRE-RJ, Luiz Zveiter, esclarece que a proteção especial não acontecerá somente em áreas dominadas por milicianos, mas em todos os locais onde existe a possibilidade da presença de cabos eleitorais.

“Qualquer local de votação que a gente identifique a possibilidade do eleitorado receber uma ameaça ou ser coagido a fazer algo contra sua própria vontade receberá um policiamento intenso. Uma força-tarefa será montada para criar barreiras de exclusão, locais onde as pessoas que vão fazer boca de urna serão inibidas. Acho que isso vai dar mais tranquilidade para o eleitor”, explica Zveiter.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), relator da CPI da Milícia que concorrerá ao cargo de prefeito do Rio,  avalia a iniciativa como positiva, mas cobra uma avaliação mais preciso dos candidatos ligados à milícia.

“Qualquer medida que impossibilite a milícia de eleger seus candidatos é importante. Mas o próprio TRE tem que fazer uma avaliação muito precisa dos candidatos relacionados com a milícia, não só no dia da eleição”, avalia o futuro candidato.

Segundo ele, todo miliciano é dono de um centro social, que continuam abertos mesmo quando eles são presos. Para Freixo, cabe ao Poder Público saber se dentro destes locais não se fazem campanha eleitoral, e coagir esta ação. Sobre sua campanha, o deputado garante que o domínio territorial da milícia não vai impedi-lo de visitar os locais dominados pelos paramilitares.

“Enquanto eles tiverem o poder econômico e territorial, vão continuar tendo poder político. Durante minha campanha não vou deixar de ir a esses lugares, mas certamente não vou com a mesma frequência que visito outras localidades. Vamos utilizar muito da internet para dialogar com a população que vive nestas regiões”, diz.