"Dar bom dia é campanha eleitoral?”, indaga deputada sobre proibição no Twitter

Um dia após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir campanha eleitoral no microblog Twitter antes do dia 05 de julho do ano eleitoral, políticos e jornalistas usaram o próprio site para criticar a norma. O receio é em torno do julgamento sobre o que configuraria uma campanha eleitoral.

“É preciso ter um claro conhecimento técnico sobre o que é campanha eleitoral. Eu dar bom dia é campanha eleitoral? Em 2008 tive oito perfis do Orkut desativados porque havia uma decisão na internet que cada candidato só poderia ter uma página na internet. Tiraram do ar arbitrariamente e eu nunca consegui recuperar. A minha experiência pessoal mostra que o TSE não sabe definir bem o que é campanha eleitoral”, critica a deputa federal Manuela D’Ávila (PCdoB).

A parlamentar também diz não entender o motivo da proibição enfaticamente à internet, o que vai abrir margem para muitas interpretações. Já o senador Cristóvam Buarque (PDT), tem medo que a “decisão irrelevante” crie “uma confusão”, já que qualquer um pode criar uma conta no microblog com nome de outra.

“Não tem como barrar os meios de comunicação modernos. Qualquer um pode fazer um perfil falso e querer queimar o candidato na Justiça. A decisão não é democrática, já que a internet é um meio de comunicação acessível a todo mundo. O que deveria ser proibido é dono de jornal fazendo campanha subliminar sobre candidatura ou fazendo campanha contra certo candidato”, provoca o senador.

Na opinião de Buarque, o TSE não vai conseguir distribuir os controles com justiça, inibindo o uso de um mecanismo extremamente democrático.