Marielle, que falta você nos faz

Uma aluna que combateu a política das UPPs como única solução para a desigualdade, esta foi a Marielle Franco da Silva em sua passagem pela UFRJ, no curso de Especialização e MBE em Responsabilidade Social. Seus professores, ouvidos pela coluna, destacaram a dedicação e o esforço, nas aulas, de Marielle, que nunca aceitou a política de violência conduzida pelo Estado nas favelas. Ao fim do curso, em 2011, defendeu sua tese sobre “Participação, mobilização e controle social na Maré, entre os anos de 1999 e 2009”. O estudo faz o levantamento dos dados sobre os efeitos da ausência do Estado e as inúmeras incursões policiais na comunidade onde ela nasceu e viveu a maior parte da vida. Em 2014, a convite de professores da Universidade Federal Fluminense, Marielle participou de uma aula na Oficina de Políticas Públicas, um projeto de extensão da UFF, em Macaé. E foi aplaudida de pé por um auditório lotado, quando atacou a política de segurança pública do então governador Sérgio Cabral. Articulada e com uma oratória impecável, a quinta mais votada vereadora de 2016 trazia a vocação política na alma. Marielle levou para as audiências  no plenário da Câmara seu conhecimento de sala de aula e seu ímpeto de mulher idealista. Este seu perfil combativo a levou a ser nomeada relatora da comissão de vereadores que acompanha o trabalho de militares na intervenção federal no Rio de Janeiro. Sua morte agora é História da cidade. Marielle, presente!