Ao analisar o teatro brasileiro, Nicette Bruno fala em "sentido de resistência"

Atriz foi homenageada no Prêmio Cesgranrio de Teatro pelos seus 70 anos de carreira

Nicette Bruno, aos 84 anos, foi a homenageada da última edição do Prêmio Cesgranrio de Teatro pelos seus 70 anos de carreira. Ela chegou a receber uma medalhada de Carlos Alberto Serpa de Oliveira, presidente da Fundação Cesgranrio e soltou: “Eu nem percebi que esse tempo todo passou. Eu sempre fiz teatro com muito amor e, quando isso acontece, a gente não sente o passar dos anos”.

E engatou uma espécie de revival do próprio currículo...“Quando a gente faz qualquer tipo de arte, todo personagem tem uma importância vital para a carreira do ator. Então, é difícil destacar apenas um. O que acontece é que alguns papéis te dão respostas maiores e melhores, como foi o caso de ‘Os efeitos dos raios gama nas margaridas do campo’, que foi um momento extraordinário para mim como atriz. Outro espetáculo deslumbrante foi ‘Dona Rosita, a Solteira’, de Frederico García Lorca, e ‘A Megera Domada’, de Shakespeare, que foi um momento único. Agora eu estou fazendo um espetáculo que também está me dando uma satisfação muito grande chamado ‘O que terá acontecido a Baby Jane’. Ou seja, cada espetáculo e cada personagem nos transmitem algum tipo de conhecimento e nos fortalece como interpretes e como pessoas. Por isso, eu agradeço a cada um deles a grandiosidade que transmitiram para mim para eu melhorar como ser humano".

Nicette, no fim, também entrou naquele discurso de que “nós estamos passando por um momento muito delicado das artes de uma maneira geral". E prosseguiu: "Então, nós estamos firmemente dando a volta por cima em um sentido de resistência. Estamos fazendo a nossa parte e esperando que este momento de crise geral passe e o teatro reconquiste o seu verdadeiro lugar. O amor fortalece e, quando você faz o que ama, fica ainda mais forte. E eu sou assim, sigo minha vida desejando cada vez mais trabalho, desafios e personagens”.