Fernanda Abreu: "O Brasil e o mundo estão muito intolerantes"

Carioca sangue bom falou à coluna depois de show na Arena Banco Original

Depois de shows por Rio, São Paulo e Manaus, Fernanda Abreu agora partirá para cidades Porto Alegre, Recife e Natal com a turnê baseada no seu mais recente disco, "Amor Geral". E com um detalhe: lá pelo segundo semestre, ela programa o lançamento de um DVD, que vai "ser rodado em um lugar bem especial".

Ela falou à coluna na noite de ontem, durante show na Arena Banco Original, no Armazém 3 do Porto Maravilha. No repertório, não faltaram letras instigantes e batidas que flertam com o funk atemporal dos anos 80 e 90. Tudo bem calculado, of course.

“O Brasil e o mundo estão muito intolerantes. As pessoas estão com dificuldades de aceitar as escolhas dos outros: sejam elas religiosas, sexuais, de construção familiar… Acho inconcebível alguém chamar um negro de macaco, agredir um gay e espancar uma mulher. São atitudes imperdoáveis. Por isso, ao assistir essa onda de barbárie, senti necessidade de trazer essa ideia do amor como uma possibilidade de convívio pacífico entre as pessoas”, explicou.

Papo que descambou ainda mais para a militância feminista: “A mulher está com tudo. Um dos movimentos mais legais e importantes que eu vi nos últimos tempos foi o das mulheres. Eu fui a todos os protestos que tiveram pelas ruas do Rio de Janeiro. Fui com minhas filhas, que são super feministas. Eu vivo em uma casa de mulheres. A gente participou e apoiou todas as discussões sobre aborto, a violência contra a mulher e a urgência de seus direitos. Nós estamos avançando cada vez mais. As pessoas estão vendo isso tão de perto. E, logicamente, é lindo ver isso refletido na música. Muita gente boa está lançando disco em todos os gêneros. O rap paulista, por exemplo, tem uma quantidade de mulheres incríveis. Em Curitiba vem a Karol Conka, as meninas do sertanejo, do funk e do pop também são uma realidade nesse segmento”.