Maria Gadú: "Minha voz estava castigada por conta das biritas e dos fumos"

Depois de um hiato de quase quatro anos no mercado fonográfico, Maria Gadú entregou o álbum “Guelã” e agora se prepara para lançar o terceiro DVD da carreira, com batismo homônimo. Segundo ela, esse registro fecha um ciclo. Trata-se de "uma mutação". À coluna, ela explica: “Minha voz estava castigada por conta das biritas e dos fumos. Tudo bem, né? Eu só tinha vivido até aqui. Pelo menos eu carregava alguma coisa comigo. Teve que rolar um silêncio cármico depois de toda a maravilha do Bituca, do Gil, do Caetano, do Lenine, do Tony Bennett, da Alicia Keys, do Caneca, do Cesinha, Gastão. Eu fugi no mundo, depois eu me aninhei no mato. Tava fodida, sem voz, sem ideia. A minha imagem, fora do meu corpo, era maior do que eu. Aí eu voltei lá, na minha canção de ninar. No mar da ilha. Parei de fumar e não enlouqueci”.

Gadú também assina a direção musical, toca guitarra e surdo na banda formada pelos músicos Federico Puppi (cello), Lancaster Pinto (baixo) e Felipe Roseno (bateria e percussão). Apresentando assim um novo clã de companheiros musicais. Eles entram em cena no lugar de Cesinha, Caneca, Doga, Maycon, Gastão – a banda com quem Gadú caminhou até aqui. "Eles são a minha casa sonora e com eles eu aprendi que podia ser musicista. Eu quis ser musicista, tocar bem, transar as coisas. Não existe despedida. Eu estive viajando por aí, ouvindo música, fumando cigarrinho, bebendo vinho. Descobrindo a leveza do meu corpo, descobrindo o peso do meu corpo. E a gente encontra e faz amigos pelo mundo e eles têm folclores diferentes do nosso, escutam, fazem outras músicas, enchem a gente de insegurança. Porque ser do mundo é ser plural. E há de não se ter amarras”, explicou.