Minas Trend Inverno 2017: a mescla entre o barroco e a roça no desfile de Lucas Magalhães

Estilista faz uma síntese do espírito mineiro em ótima apresentação na fashion week

Se o estado de Minas Gerais pudesse ser traduzido nos cinco sentidos, ele seria como foi o desfile de Lucas Magalhães. Na passarela, o público acompanhou uma mistura do barroco com o clima de roça. Na audição, músicas que nos remetem à vida na fazenda potencializou a experiência. Já as texturas que enriqueciam as roupas ocupavam a missão do tato. E, por fim, docinhos de leite mineiro ajudavam ainda mais os convidados a entrarem no clima do estado. Essa era a proposta. Com um sotaque que não dá para enganar, Lucas Magalhães quis trazer as experiências de sua terra natal para a passarela. O motivo? Depois que foi morar em São Paulo, deu saudades de casa. “A inspiração é Minas Gerais e fala muito da minha própria identidade. Com essa mudança para São Paulo, eu fiquei meio nostálgico e sentindo um vazio do que é essa vida mineira e quis contar para todo mundo das delícias que temos por aqui”, revelou.

Para isso, Lucas elegeu dois temas que serviram como fios-condutores: o barroco mineiro e o clima agradável do interior. “Eu trabalhei em cima de dois contrapontos da cultura mineira que, para mim, são muito especiais e fortes: a ostentação da arquitetura barroca e o aconchego da roça e da fazenda. Esses, para mim, são os símbolos e a forma com que o nosso estado é visto para além de nossas fronteiras”, justificou o estilista que acredita ter criado a coleção mais icônica de sua carreira.

Na prática, o mineirinho apostou em cores, estampas e detalhes. Em relação às padronagens, galinhas da angola, vacas, elementos arabescos e colunas da arquitetura mineira ajudam a explicitar esse conceito. Quando o assunto são as cores, Lucas Magalhães não teve medo de ousar. “A cartela de cor é bem em cima da arquitetura da região. Então, por exemplo, tem muito vermelho e azul, que representam a pintura de Athayde dos tetos das igrejas de Ouro Preto. Em relação a inspiração do campo, são cores bem típicas desse imaginário presente nas estampas”, contou sobre a coleção que ainda apresentou patches que faziam referência aos conceitos criativos.

Além de mostrar lindamente a cultura de seu estado, o designer ainda apostou no conforto e na liberdade de suas peças. Apesar de criar uma roupa imaginando o corpo que irá usa-la, Lucas acredita que suas peças são livres para gêneros e gostos. Prova disso, é camisa de alfaiataria usada por uma modelo no desfile e a saia que foi clicada em um homem no editorial da marca. “Isso é muito da pessoa. Eu como estilista, quando estou desenhando, eu penso em alguém usando a peça. Mas isso não significa que seja uma ordem. Se a pessoa se sente bem em uma roupa que seja ou do feminino ou do masculino, seja feliz. Eu acho que isso é uma questão muito pessoal. Mas acredito também que nós fazemos moda com a intenção de transgredir”, avaliou o estilista que acredita que o conforto seja a palavra de ordem da próxima estação.

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