Com Caio Blat e Sophie Charlotte, “Barata Ribeiro 716” vence o Festival de Gramado

Novo filme do diretor carioca Domingos Oliveira é o “Melhor Filme” do evento

A 44ª edição do Festival de Cinema de Gramado terminou na noite deste sábado, premiando aqueles que mais se destacaram com suas produções na mostra competitiva do ano de 2016. O filme “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos de Oliveira, foi o grande vencedor da noite levando para casa o Kikito de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Trilha Musical. O mesmo longa ainda arrematou o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante, para Glauce Guima. Na disputa, outros cinco longas-metragens brasileiros disputavam o troféu principal com o vencedor: “El Mate”, “Elis”,“O Roubo da Taça”“O Silêncio do Céu”, e “Tamo Junto”.

A narrativa conta a história do engenheiro e aspirante a escritor Felipe, vivido por Caio Blat, que leva uma vida regada aos prazeres do álcool, em festas alucinantes realizadas num apartamento dado por seu pai, na famosa Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Lá, ele e seus amigos desfrutam de tudo que a liberdade pode oferecer, mesmo em meio a um momento político complicado, os anos 60, que terminariam com o golpe militar de 64. Ao levar o prêmio de melhor direção, Domingos de Oliveira disse algumas palavras e passou seu discurso impresso para Blat, que interpreta seu alter ego no filme passado em um Rio de Janeiro boêmio. O aclamado cineasta completa 80 anos no próximo dia 28. Ao fim do discurso, o diretor foi aplaudido de pé pelos presentes no Palácio dos Festivais.

E a noite estava apenas começando. Como já era esperado pelo público do festival, a atriz Andreia Horta ganhou o prêmio de Melhor Atriz, por sua belíssima interpretação no filme “Elis”, cinebiografia sobre a vida de Elis Regina, e no palco falou sobre a emoção de ser premiada na terra da cantora. “Foi lindo entregar a Elis aqui, na terra dela, no Sul. O nosso ofício é uma declaração de amor à humanidade, né?” continuou, já em lágrimas. “Como diz Elis: ‘No presente a mente, o corpo é diferente, e precisamos todos rejuvenescer’. É tempo de luta, vamos juntos”, completou ela, citando a canção “Velha Roupa Colorida”. “A vida pode ser mais bonita mesmo quando a gente tem coragem né? Meu coração está batendo mais rápido. Eu acredito no trabalho e acredito no artista. Foi uma convocação extraordinária, das deusas e dos deuses. Quero agradecer a todos que acreditaram que eu podia fazer esse trabalho”, discursou ela, bastante aplaudida. O filme chega aos cinemas em 24 de novembro.

 Paulo Tiefenthaler, que recebeu o kikito de Melhor Ator por “O Roubo da Taça”, fez duras críticas ao agora efetivo governo e incluiu o bordão “Fora Temer” em seus discurso de agradecimentos. “Fora, Temer! Vamos tirar esse cupim da nossa casa!”, disse ele no palco da grande festa.  Aliás, o clima político foi percebido em outras situações, também contra o atual governo. Ao anunciarem os apoiadores e patrocinadores do evento, parte do público vaiou a menção ao Ministério da Cultura. Durante a entrega do prêmio de Melhor Curta-Metragem Brasileiro, o diretor do vencedor “Rosinha”Gui Campos, subiu ao palco acompanhado de sua equipe, que carregava faixas onde era possível ler “diretas já” e “resistir sempre”. Ele convidou mais cineastas a engrossar o já famoso bordão do festival. “Nós aqui presentes nos pronunciamos contra o golpe e a favor da democracia brasileira”, disse, recebendo forte aplauso.

O aplaudido “O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra, levou o Prêmio Especial do Júri. Protagonizado por Carolina Dieckmann, com uma de suas melhores interpretações até aqui, e Leonardo Sbaraglia, o suspense psicológico é quase todo falado em espanhol com apenas uma curta cena em português. O filme foi exibido pela primeira vez no Festival de Gramado e estreia nos cinemas brasileiros no dia 22 de setembro.Elke Maravilha também foi lembrada na cerimônia de premiação deste sábado com um prêmio especial do júri de curtas. A atriz, que morreu há menos de um mês aos 71 anos, foi premiada por seu papel no curta “Super Oldboy”. A diretora do filme recebeu o troféu e dedicou à família de Elke. Entre os filmes estrangeiros, os destaques foram “Guarani”, de Luis Zorraquín, com os troféus de melhor ator, roteiro e filme, e o chileno “Sin Norte”, de Fernando Lavanderos, com os kikitos de Melhor Filme, eleito pelo júri da crítica, e Direção.

Na noite de abertura do evento, Sônia Braga recebeu o Troféu Oscarito na noite de início do Festival de Cinema, quando foi exibido o filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. O longa, no entanto, está fora da competição oficial. Já na noite seguinte, Tony Ramos foi homenageado em uma cerimônia emocionante. O ator, que tem mais de 50 anos de carreira e 128 personagens no currículo, recebeu o Troféu Cidade de Gramado. E nesta terça-feira, apesar de não comparecer ao evento por precauções médicas e ser representado por uma de suas filhas, o cineasta José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, recebeu o Eduardo Abelin, que é entregue como reconhecimento a diretores, produtores e técnicos pelo trabalho desenvolvido em prol do cinema brasileiro.

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