Às vésperas dos 42 anos, Preta Gil diz: "Parece que estou fazendo 20. Me sinto mais nova"

Cantora conversou com a coluna durante a edição capixaba de sua festa julina

* Com Lucas Rezende

Preta Gil está na fase do “sei lá”. É o que ela responderá se você perguntar quando sai o novo CD ou o que ela pretende fazer para comemorar os 42 anos que completará no próximo dia 8 de agosto. Mas de uma coisa ela tem certeza: está a cada dia sentindo-se mais nova – mesmo com uma empresa para administrar, um marido, um filho e uma neta para cuidar. “Estou a mil por hora. Parece que estou fazendo 20 anos. A cada ano que passa, parece que eu me sinto mais nova. A vida vai me dando sinais vitais de que a gente está aqui, nesse mundo, como uma passagem e que ela tem que ser rica no sentido de ser intensa, afetiva, amorosa. Estou muito feliz. A Sol de Maria, minha neta (filha de Francisco Gil com a modelo Laura Fernandez), é um presente para nossas vidas. O ciclo das coisas é gostoso. Têm suas vantagens amadurecer”, refletiu.

Dando conta de que está “em um ano muito não sei” - no maior estilo Zeca Pagodinho com “Deixa a vida me levar” -, Preta aproveitou para tentar nos explicar seus próximos passos na indústria fonográfica (a priori, ela chegou a dizer ao Site HT que sairá um CD ainda este ano, mas depois, em entrevista ao jornal A Gazeta, recuou). “Estou gravando músicas aleatoriamente. Já estou na quarta faixa, fazendo conteúdo, produzindo, gravando o que eu quero. Mas sem um compromisso de lançar um disco físico, por exemplo. Quando eu tiver um material pronto, eu vejo o que fazer com ele. Portanto, o que posso adiantar é que o repertório está bacana, mas eu tenho que saber para onde eu quero ir primeiro. Como eu não estou nem um pouco certa do que vai acontecer, também não quero ficar falando. As coisas estão nascendo de mil maneiras, é tudo muito embrionário”, disse.

O encontro de Preta com a coluna foi na Ilha de Vitória, no Espírito Santo, durante a edição capixaba do Arraiá da Preta, que foi realizado no Ilha Shows no último fim de semana - mesmo local, aliás, onde ela se apresentou para um casamento do high society no dia seguinte. O evento foi um aquecimento para a edição carioca de sua festa julina no Rio de Janeiro, que, este ano, acontecerá no Paiol 8, na Lapa, zona centra da urbe maravilha, no dia 31 de julho. “O Arraiá já é típico, está no meu calendário anual de eventos. É o sétimo que eu faço. A gente aproveita esses festejos populares para justificar os encontros e viver essa brasilidade. O São João é uma festa muito importante para nossa cultura, nossa identidade e historicamente é ótimo para unir o Brasil. É um sinal de que o país é diverso, múltiplo, mas que a gente se interfala. Isso é o que nos use: a arte, a cultura, o povo. Eu confesso que não tinha data para fazer esse ano, mas consegui um domingo, final do mês, raspando o tacho. Mas é tradição e não quis deixar de fazer”, contou.

Palavras de quem tem ciência de que “o que a gente tem de bom e de melhor é o povo brasileiro e sua cultura”. Vestida com uma camisa jeans trabalhada com patchwork e amarrada à la cowgirl, Preta garantiu que, num arraiá, enviaria correio do amor para o marido Rodrigo Godoy e, na tradicional fogueira de São João, não se atreveria a atear ninguém. O motivo? “As pessoas se auto colocam na fogueira. As nossas fogueiras brasileiras são as pessoas que não têm caráter, são egoístas, pensam nelas próprias e não têm amor no coração”.

Show woman

Preta Gil, que sempre acolheu as minorias em seus braços, começa seu show com mensagem mais clara impossível: “Chega de preconceito e viva a união de toda raça, toda cor, sexo e religião. Quer saber? Sou como sou. Não quero me encaixar em nenhum padrão”. Os versos de “Sou como sou”, lançada em 2012, endossas os dizeres contra a homofobia que vêm a seguir, acompanhados de versos parecidos, como os de “Stereo”, de autoria de Ana Carolina: “Menino e menina pego em estéreo. Sou devota da paixão”. Outros hits já conhecidos de seu repertório, como “Sinais de Fogo”, “Meu Corpo Quer Você” e a mais atual “Take It Easy”, vão seguindo a fila que, nesse clima de arraiá, fazem companhia a faixas que geralmente não figuram na apresentação da filha de Gilberto Gil. “Frevo Mulher”, “Camarote” (o bordão “ Vai Safadão”, nesse caso, vira “Vai Sapatão”) e “10 %” são algumas delas. Entre selfies mil à beira do palco e muitos fãs subindo e descendo fazendo sua pontinha de figurante, Preta se faz uma artista próxima de quem a assiste, mesmo num elevado, iluminada por holofote se ciceroneada por músicos. Canta parabéns para os fãs, recolhe presentes, dialoga com eles durante a apresentação e impede este jornalista de não seguir o clichê: Preta é gente da gente. Deve ser coisa da mistura do sangue Gadelha com Gil. Deve....

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