Criolo dá o start do show "Ainda há tempo" e incendeia o Rio

No Circo Voador, o músico ainda fez a releitura de 27 anos de carreira

Efeitos gráficos, bandeiras sociais e muita poesia: foi assim o primeiro show da turnê “Ainda há tempo”, de Criolo, no Rio de Janeiro, na noite de sexta. Em comemoração aos 10 anos do lançamento do primeiro disco homônimo do rapper paulista, a tour revisita as músicas do disco, volta ao formato original do HipHop, com DJ e MC no palco, e consegue abordar temas ainda atuais. Nas letras, versos como “As pessoas não são más, elas só estão perdidas”, inspiram e transportam a platéia para a atmosfera do show, que mais parece uma celebração.

Após o sucesso dos aclamados álbuns “Nó na Orelha” e “Convoque seu Buda”, Criolo retoma seu primeiro trabalho de estúdio com belíssimo projeto cênico aliado à releituras de sons clássicos. Atrás do palco, o telão de LED acompanha a temática das rimas, trazendo imagens que transformam a experiência ao vivo, como quando pulsam vídeos de São Paulo durante a famosa “Não existe amor em SP”, em design do artista plástico Alexandre Órion.

Durante o show, o intérprete interagia com o público a todo momento, com danças e puxando cantorias. “Sejam bem vindos a 1989”, falou, relembrando o ano em que a sua carreira começou. Durante a queridinha “Pé de Breque”, o rapper e seu MC, Dan Dan, mostraram seu apoio à ocupação do colégio estadual Chico Anysio, na Tijuca, Zona Norte do Rio, que estava acontecendo naquele momento. Criolo manifestou sua sensibilização também com a paralisação da Universidade Estadual do Rio, UERJ, com a homofobia, o racismo e a situação política e econômica do país: “A revolução não será televisionada”, afirmou.

“Na brincadeira da palavra, a pessoa fala algo que agrada, mas sem você saber isso já separou. É tão bom estarmos juntos. Nada é justificativa para ódio e violência gratuita. Todos juntos, cantem”, pediu, sendo respondido com gritos de ordem como “Não vai ter golpe” e “Quero o fim da Polícia Militar”. No repertório, “No Sapatinho”, “É o teste”,”Bréaco”,”Chuva Ácida” e “Até me emocionei”, do disco de estréia,“Lion Man”,”Vasilhame”, “Grajauex”, e“Mariô”, do segundo álbum e  “Duas de Cinco”,”Fio de Prumo”,”Convoque seu Buda” e “Esquiva da Esgrima”, do terceiro. E ainda, em uma surpresa especial, o artista cantou “Carinhoso”, clássico nacional de Pixinguinha, em homenagem à democracia.

O paulista encerrou a apresentação incentivando todos a respeitarem a singularidade: “Cada um de vocês é um ponto de luz, se abracem”. No fim, a canção relançada na última quinta, disponível para download gratuito no site do cantor,“Ainda é Tempo”, deixou a platéia pedindo mais. Com ingressos já esgotados, a apresentação se repete hoje a noite, no mesmo lugar.

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