Vem saber tudo sobre o show de Emicida que lotou o Circo Voador, no Rio

O artista apresentou a turnê do álbum "Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa" 

Emicida entrou no palco do Circo Voador com o rosto completamente coberto por uma máscara. Foi ovacionado pelo público que lotava a lona, na Lapa para conferir o show da turnê do álbum "Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa". Mandou ver em "Boa esperança". O público foi ao delírio. Só para lembrar: o vídeo para a faixa, dirigido por Katia Lund, mostra uma megaprodução em uma história de revolta dos empregados negros de uma mansão, acompanhada por letras que abordam a questão do racismo desde a escravatura.

A primeira parte do show foi inteiramente dedicada às músicas de cunho político, que questionam tanto o racismo quanto a carência e a realidade das periferias, com uma sinceridade que espanta, mas, ao mesmo tempo, serve como prova da capacidade de Emicida como rapper. Essa característica engajada socialmente tem acompanhado Emicida desde o início de sua trajetória, mas parece que, em "Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa", seu mais recente disco, lançado em agosto deste ano e que dá nome à turnê apresentada no Circo, o aprofundamento foi ainda mais denso.

Em um dos momentos mais fortes da apresentação, antes de começar a cantar "Hoje cedo", sua parceria com Pitty, o rapper concentra toda a luz do palco sobre si, dispensa qualquer artifício sonoro de banda ou música de fundo, e "só no gogó", como se estivesse de volta à Batalha do Santa Cruz, em São Paulo, ele dispara os versos para um público que, extasiado, o assiste como em um ritual. O delírio aumenta ainda mais quando Inquérito aparece de surpresa no show, entregando um freestyle certeiro, repleto de flow e trocadilhos que fazem menção a preferir as folhas dos livros do que as de cocaína. O Circo aplaude.

Mas Emicida não se contenta em ser um dos principais representantes do rap socialmente engajado em todo o país e, ao longo das duas horas de show, também mostra a sua variedade de influências e toda a sua diversidade sonora, indo do samba ao funk, do hip hop ao rock e à MPB. Há o "Momento Viaduto de Madureira", como o próprio declarou, no qual músicas como "Madagascar" e "Baiana" (sua parceria com Caetano Veloso) dão um toque romântico à noite.

Um dos pontos altos e mais comoventes da noite se deu durante a apresentação de "Mãe", uma balada emocional, pessoal até a última vírgula, na qual o rapper narra as dificuldades vencidas por Dona Jacira e a força que ela teve ao criar os filhos.


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