Papo-literário: fundadora da prestigiada 'Cobogó', falamos com Isabel Diegues!

Filha do cineasta Cacá Diegues revela os passos de sucesso de sua editora artsy

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Desde 2008, as prateleiras das livrarias nacionais passaram a ganhar um colorido interessante: antes quase raras no país, publicações voltadas para a arte e a cultura contemporânea brazucas começaram a pipocar nas melhores estantes. Fundada e dirigida por Isabel Diegues, a 'Cobogó' se firmava, de mansinho, como uma das editoras mais interessantes do mercado editorial nacional.

Cinco anos depois, a filha do cineasta Cacá Diegues comemora o sucesso da empreitada literária - depois de anos voltada para a carreira que alçou o pai ao sucesso. Ocupando, no mercado nacional, um espaço que lá fora fica por conta das ultra-hypadas 'Taschen' e 'Phaidon', a 'Cobogó' já foi responsável por lançar títulos voltados para o teatro, as artes plásticas e diversas outras áreas ligadas a cultura contemporânea. Coisa fina. Resolvemos papear com Diegues para entender (e comemorar!) os louros de sua badalada iniciativa.

Heloisa Tolipan: Desde 1988, você vinha trilhando uma carreira interessante no cinema. O que te fez mudar de rumo e fundar a Cobogó? Quando você teve esse rompante?

Isabel Diegues: Trabalhei em cinema desde os 16 anos. Ainda estava na escola, quando comecei a estagiar como assistente de montagem. Depois parti para o set de filmagem, fui assistente de direção, dirigi curtas e clipes e produzi alguns projetos. Em 2001 produzi, junto à 'VideoFilmes', o filme 'Madame Satã', de Karim Ainouz, e foi uma experiência incrível. Em 2002, na mesma noite em que o filme passou em Cannes, nasceu meu filho José. O cinema te absorve muitíssimo, para conseguir grana para filmar é um sacrifício e, mesmo eu tendo feito aquele filme que eu adorava e tinha sido super bem recebido, quando começamos a preparar o próximo, parece que é sempre o primeiro. Passamos alguns meses e todo o lançamento do 'Satã', achei que era hora de pensar em outras coisas. Comecei a achar que aquele sofrimento pra levantar um filme não tava valendo a pena. Resolvi dar um tempo e estudar. Foi quando fiz vestibular para estudar Letras na PUC.

HT: O que o seu pai, o cineasta Cacá Diegues, pensou dessa mudança de caminho? Ainda mantém algum envolvimento com o cinema?

Isabel: Meu pai sempre foi do tipo que apoia e incentiva as escolhas dos filhos. Criou os quatro com muita liberdade. E essa mudança começou aos poucos. Eu estudava e ainda fazia filmes. Mas fui gostando mais e mais de estar num outro universo e acho que meu pai logo reconheceu essa minha alegria com o mundo das letras. Mas a editora surgiu depois, quando eu tava terminando a faculdade. Nesse momento tudo fez sentido e eu resolvi arriscar.

HT: Desde seu início, em 2008, como você avaliaria o desempenho da Cobogó, até agora?

Isabel: Fazemos livros de projeto. Nossos livros são de artistas de diversas áreas, mas que não são autores. Portanto, o livro é um parte de um projeto maior, seja um projeto de teatro, de artes plásticas ou de música. A Cobogó veio crescendo e se firmando a partir dos projetos e do nosso interesse por pensar sobre diversas áreas. Primeiro vieram os livros de artes plásticas, que dentre os outros segmentos, era onde a Cobogó melhor atuava. Hoje, temos uma linha muito bacana de teatro contemporâneo que segue crescendo. Em breve lançaremos os livros de música. E, assim, vamos ocupando um espaço que muito nos interessa de pensar as artes e a cultura contemporânea de um modo geral.

HT: A Cobogó ocupa um lugar interessante no mercado editorial nacional, que lá fora pertence a editoras prestigiadas, como a 'Taschen' e a 'Phaidon'. O foco da Cobogó é a produção artística nacional?

Isabel: Publicamos livros de autores e artistas brasileiros, mas também de estrangeiros. Mas, certamente, os projetos que fazemos com os brasileiros são muito importantes pra nós.

HT: Acha que, antes do surgimento da editora, faltava um empurrão para divulgar determinados nichos, como a cena teatral carioca, a produção de artes plásticas contemporânea, dentre outras?

Isabel: Não havia no Brasil uma editora centrada em fazer apenas esses livros. Alguns projetos isolados, alguns muito bons, eram feitos. Mas as editoras, em geral, publicam livros de caminhos muito diferentes. E nossa ideia era nos concentrarmos na cultura contemporânea. Isso potencializa o projeto da editora.

HT: Consegue visualizar a Cobogó caminhando na direção da literatura? Talvez incentivando novos autores?

Isabel: Não temos esse projeto de publicar literatura, por enquanto. Queremos nos firmar no território que escolhemos habitar. Mas claro que podemos sempre mudar de ideia. Essa é a graça. Mas por enquanto ficaremos por aqui, publicando Arte e Cultura Contemporâneas. E há muito a ser publicado.

HT: Quais são os próximos passos e lançamentos da editora? Prevê um crescimento?

Isabel: Entre 2008 e 2011, publicávamos de cinco a sete livros pro ano. Em 2012 publicamos 18 livros. Nossa ideia é manter esse tamanho, não crescer mais que isso, por enquanto. Tudo a seu tempo.

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