Por detrás das coxias do Prêmio da Música Brasileira, o show de Nana Caymmi

Família Caymmi transforma os bastidores em uma festa de encontros com amigos queridos

Enquanto Adriana Calcanhotto e Zélia Duncan comandavam a cerimônia de entrega do 24º Prêmio da Música Brasileira, ontem (12), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, tendo Tom Jobim como grande homenageado, por detrás das coxias, a noite foi toda de Nana Caymmi.

* Antes do anúncio dos cinco primeiros vencedores, Nana subiu ao palco para adiantar aos convidados o quão emocionante seria a noite e cantou ‘Por causa de você’. Logo em seguida, foi até o seu camarim, trocou os sapatos por chinelos com salto plataforma, o vestido bordado por uma calça confortável e uma camiseta com uma borboleta bordada em paetês metalizados (tudo preto), pegou o copo baixo com uma dose de whisky e gelo em uma mão, um leque branco com paetês prateados em outra e se sentou em uma cadeira (que trazia o seu nome escrito de modo improvisado em um pedaço de fita crepe) na lateral do palco, entre as coxias, onde observou todos os shows da noite, comemorou a vitória de amigos, aplaudiu as performances mais emocionantes e criticou as que menos gostou.

* “Quem está no palco agora?”, perguntou à Rosa Passos, que respondeu: “É a Maria Gadú”. “Mas quem é Maria Gadú, Rosa?”, questionou Nana, arrancando risos da amiga sentada ao seu lado. Assim que Gadú deixou o palco, após cantar ‘Chega de saudade’, Nana deu um gole em seu copo e disparou: “Uma bobagem essa garota! Que foi? Eu falo mesmo. Para o Tom ela é uma bobagem”. Enquanto isso, Maria seguia de volta para o camarim que dividiu com Céu e Tulipa Ruiz de mãos dadas com a namorada Lua Leça.

* Falando em Tulipa, a moça dividiu o palco com Leila Pinheiro e Leny Andrade para a sequência de ‘Garota de Ipanema’, ‘Desafinado’ e ‘Brigas nunca mais’ e, quando as cortinas se abaixaram, lamentou: “Ai, é tão rápido, né?”. Sim, é bem rápido, Tulipa, nós também queríamos mais.

* Ivete Sangalo levou o troféu de Melhor Cantora de Canção Popular, mas, como estava voltando da Disney após gravar a final do ‘Ídolos Kids’, da Record, não pôde comparecer à cerimônia e foi representada por Saulo Fernandes, da Banda Eva, que abocanhou o troféu de Melhor Grupo na mesma categoria. “Poxa, eu queria ver a Ivete...”, lamentou Danilo Caymmi, na coxia, ao ouvir Calcanhotto anunciar que a baiana não estava presente.

* Sim, o clã Caymmi dominou as coxias, onde parecia estar em casa. Nana assistindo, aplaudindo, abraçando e beijando, Danilo à espera do seu momento para subir ao palco com Paula Morelembaum e cantar ‘Wave’ e todos na torcida para que Alice levasse para casa o troféu de Cantora Revelação de MPB, que acabou nas mãos de Rodrigo Campos.

* Caetano Veloso, que entrou pela lateral do Municipal com Paula Lavigne para evitar o assédio, foi eleito o Melhor Cantor de Pop/Rock/Reggae/ Hiphop/Funk e também o Melhor Projeto Visual, por ‘Abraçaço’, e, assim que pegou seus troféus, foi dar um abraçaço em Nana, com direito a selinho e tudo.

* Com dois troféus, Caetano empatou com Mario Adnet, que concorria com ele mesmo por Projeto Especial de Canção Popular e Melhor Arranjador de MPB, Cauby Peixoto, que foi ovacionado pelo Municipal ao subir ao palco para receber os prêmios de Melhor Álbum e Melhor Cantor de Canção Popular, e João Bosco, eleito Melhor Cantor e dono do Melhor Álbum de MPB. “João! João! João! Melhor cantor? Você tá bem, hein, cara? Tá enganando bem”, brincou a dona do backstage, Nana Caymmi, ao ver o artista passar.

* A portuguesa Carminho e a cantora Monica Salmaso foram as que mais emocionaram Nana e foram retribuídas com muitos gritinhos e aplausos. “Bravo! Bravo! Bravo! Ela é f*oda, ela me comove! E olha que pra me comover é difícil”, disse, acompanhando os aplausos de pé da plateia quando Monica terminou de cantar ‘Derradeira primavera’. Quando Carminho terminou sua marcante performance de ‘Sabiá’, ao lado do conterrâneo Antônio Zambujo, Nana a esperava de braços abertos. “Maravilhoso! Maravilhoso”, repetia. Em seguida, foi embora antes do fim da cerimônia, encerrada por 'Se todos fossem iguais a você', na voz de Ney Matogrosso. “É porque eu vou para o Ceará amanhã, a viagem é longa”, explicou. Até a próxima! 

*Em colaboração com a Coluna Heloisa Tolipan

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