Com 'banca' de headliner, Two Door Cinema Club rouba cena no Lollapalooza!

Queens of The Stone Age e The Black Keys também foram protagonistas do 2º dia de festival em SP

Se o primeiro dia de Lollapalooza Brasil 2013 terminou sob a chuva fina, o sábado (30) foi tomado por um calor agradável, sol forte no céu e... lama. Protagonista dos comentários e ocasiões mais cômicas desta edição do festival no Jockey Club de São Paulo, ela deu o tom (nas roupas, principalmente), mesmo em uma tarde amena como a da segunda jornada de atrações. 

Iniciando os trabalhos no palco Cidade Jardim, uma sonoridade ideal para o clima agradável que tomou conta do evento: o (aparentemente incansável) chillwave, pop dançante e lisérgico executado por Toro Y Moi, projeto elogiadíssimo comandado pelo americano Chazwick Bradley Bundick, que esteve aqui no Brasil, em 2011, com uma discreta performance no festival Planeta Terra. Agora, em 2013, a música do Toro Y Moi parece ter casado perfeitamente com a proposta do Lollapalooza (principalmente dentro da grade de horário dos shows). Um início envolvente de um dia que ainda traria outras surpresas agradáveis.

Do palco Alternativo veio a força instrumental do guitarrista americano Gary Clark Jr. e sua banda. Outro interessante momento da tarde, com a plateia receptiva às nuances tão diversas apresentadas pelo artista, indo de uma levada jazzística longa a '(I can get no) Satisfaction', dos Rolling Stones. Carismático, Gary conseguiu empolgar quem decidiu conhecer seus riffs não tão badalados, antes daquele que seria, surpreendentemente, o momento de grande catarse do dia.

Na sexta-feira, amigos cariocas relatavam a performance explosiva feita pelos norte-irlandeses do Two Door Cinema Club no Circo Voador (por lá, em janeiro de 2011, já haviam realizado um show fascinante). No entanto, por mais que certa expectativa fosse criada em torno do que Alex Trimble & Cia. poderiam levar ao Lollapalooza, jamais poderia ser imaginada a comoção que tomou conta do Jockey durante a apresentação da banda, principalmente ao serem entoadas as dançantes faixas de 'Tourist History' (2010), álbum de estreia dos rapazes.

Sob um sol que ainda deixava a moldura mais cativante, Alex se mostrava visivelmente impressionado com a recepção digna de um grupo 'headliner'. Um mar de gente com braços para o alto, entregue ao som pop e eficiente do TDCC. Para fechar, o êxtase total ao som de 'What you know', (agora) oficialmente maior hit da história do grupo.

Emendando com o hype do Two Door, surgiu no lado oposto do festival, no problemático palco Butantã (com falhas técnicas graves no som), os escoceses do Franz Ferdinand, cuja maré de badalação hoje já se mostra mais baixa. Nada, no entanto, que impedisse a empatia típica do carismático (e apaixonado pelo Brasil) vocalista Alex Kapranos com a plateia. Até mesmo durante a execução de várias novas faixas trazidas nos setlist. 

Por mais que a performance da banda possa ter parecido mais arrastada que o usual (ainda mais após a passagem do trator TDCC, pouco antes), muito se deve à qualidade pífia do som no palco. Prova de que, a despeito do hype de outrora, ainda há vigor no sucesso do FF: o momento delirante vivido por quem estava ali, diante do grupo, ao ouvir hits como 'Take me out', 'Tha dark of the matinée', 'Do you want to' e 'Walk away'.

E por falar em trator, outro 'atropelamento' ocorreu com a chegada, no palco Cidade Jardim, do rock pesado e cheio de alternativas dos americanos do Queen of The Stone Age, sob a liderança do 'invencível' Josh Homme. Um bálsamo aos amantes da guitarra pesada. Dezeenas de hits executados por pouco mais de uma hora e uma nova música no repertório: 'My god is the sun', presente no próximo álbum da banda, que não subia em um palco desde 2011.

Já no palco Alternativo, ouvia-se um misto de culto + show, comandado por um carismático profeta conhecido como Criolo, com seus versos cortantes e sua entrega louvável no palco. Ingredientes suficientes para arrebatar um quórum elevado do público no Jockey. Entre uma música e outra, mensagens de amor coletivo e a lembrança de que aqueles que ali estavam eram privilegiados por poderem viver aquele momento de confraternização diante de uma realidade tão desigual quanto a brasileiro. Discurso (confuso) e aclamado, tanto quanto ao executar seus dois maiores sucessos: 'Subirusdoistiozin' e 'Não existe amor em SP'.

Fechando a noite, a prolífica dupla da banda The Black Keys (Dan Auerbach e Patrick Carney), com sete álbuns de estúdio no currículo, deu uma aula de competência, demonstrando, com certa facilidade, que o rock ainda pulsa forte na veia de muitos, principalmente ao dialogar tão bem com outras vertentes, como o blues, no caso do Black Keys.

Com grande expectativa em torno do que faria a dupla no palco principal do Lolla BR (ainda mais depois dos três prêmios Grammy, conquistados mês passado), Dan e Patrick fizeram corretamente seu papel, com uma performance linear (com pouquíssima interação junto à plateia) e a estratégia, claro de deixar o grande sucesso 'Lonely boy' para a reta final do show. Headliners cerebrais. 

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