Com ares de Broadway, Oscar 2013 divide opiniões. Saiba tudo o que rolou!

Premiação, neste domingo (24), em Los Angeles, reuniu a nata de Hollywood e, claro, gerou polêmica

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Tombo da 'Melhor Atriz', homenagem ao legado de James Bond, cantoras de hoje e de ontem, link com a Casa Branca, piadas embaraçosas e um grito de guerra dos musicais hollywoodianos. A 85ª edição do Oscar, neste domingo (24), foi rápida em dividir a opinião da crítica e do público, que consideraram a cerimônia uma das mais mornas dos últimos anos - apesar do esforço da Academia em dinamizar e rechear anoite com atrações.

Já no início, o comediante Seth MacFarlane estabeleceu o tom de suas piadas durante a noite, cantando uma música que 'brincava' com os seios das atrizes. MacFarlane não empolgou: algumas piadas suas emplacaram, outras foram recebidas com frieza pela plateia. Também no início da noite, uma performance de dança de Charlize Theron e Channing Tatum já indicava um dos focos do evento: a homenagem aos musicais.

Se o gênero anda para lá de quente na terra do cinema, a Academia não poderia perder o ponto e deixar de homenageá-lo. Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger arrebentaram em número musical de 'Chicago', logo seguidas pelo vozeirão de Jennifer Hudson, entoando clássico de 'Dreamgirls'. A apresentação dos elencos de musicais culminou com o (enorme) time do grande musical da noite. A trupe de 'Os Miseráveis' subiu ao palco para cantar um medley das canções do filme, e, apesar da afinação de Anne Hathaway e Hugh Jackman, o número de atores no palco acabou tornando um pouco confusa a apresentação.

Ainda no campo das homenagens, o legado de James Bond teve sua vez e Shirley Bassey reapareceu, depois de tanto tempo fora do spotlight, para engrossar a voz com 'Goldfinger'. Já mais tarde, foi a vez de Adele trazer sua versão para 'Skyfall', último hit de 007, responsável por oscarizar a britânica, que se emocionou em seu discurso.

Mas premiação convencional que se preze se preocupa mesmo em distribuir seus prêmios, e foi o que o Oscar fez - apesar de gerar, sempre, certa controvérsia. O Oscar de 'Melhor Ator Coadjuvante' para Christoph Waltz, apesar de merecedíssimo, veio com gosto de déjà vu, já que Waltz ganhou o mesmo prêmio, em 2010, por 'Bastardos Inglórios', também de Quentin Tarantino, por um personagem construído de forma semelhante ao de 'Django Livre'.

E se a 'Melhor Atriz Coadjuvante' não era surpresa para ninguém (Anne Hathaway, por 'Os Miseráveis'), a 'Melhor Atriz' da noite polarizou opiniões. Com a francesa Emmanuelle Riva comemorando seus 86 anos na plateia, e indicada por 'Amor' ('Melhor Filme Estrangeiro'), Jennifer Lawrence ('O lado bom da vida') cumpriu a expectativa da maior parte da imprensa e subiu para buscar sua estatueta - não antes sem levar um tombo em plena escada!

Em discurso emocionado, com prêmio recebido das mãos de Meryl Streep, Daniel Day-Lewis também não causou espanto ao ser coroado 'Melhor Ator'. Já entre os diretores, a surpresa foi grande quando o taiwanês Ang Lee foi intitulado 'Melhor Diretor', passando a frente dos favoritos Steven Spielberg ('Lincoln') e Michael Haneke ('Amor'). Em grande estilo, para apresentar o prêmio de 'Melhor Filme', foram recrutados ninguém menos que Jack Nicholson e a primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, que anunciou o vencedor direto da Casa Branca. 'Argo', de Ben Affleck, cumpriu a profecia e foi o vencedor da grande categoria da noite, provocando discurso emocionado de seu diretor, Affleck, que fez até declaração de amor para sua esposa Jennifer Garner, na plateia.

Se a insatisfação com a duração e com as atrações da cerimônia era geral nas redes sociais, os presentes não pareciam estar tão entretidos assim também: Jennifer Aniston e o noivo foram vistos comendo pipoca e George Clooney deu seu jeitinho de escapar para o bar. Ainda focada em sua renovação, a Academia apostou em um clima high-low: de Adele a Barbra Streisand, de James Bond a Ted, de Michelle Obama a piadas sobre as irmãs Kardashian. Com o intuito de agradar a gregos e troianos, a cerimônia do Oscar, apesar de cada vez mais pop, continua com dificuldades para se desprender de seus laços mais clássicos - garantindo um resultado sempre seguro, mas quase nunca tão satisfatório assim. 

Colaborou Beatriz Medeiros

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