"Selarón criou a cara da Lapa", diz Teresa Cristina em papo com a coluna

Ao lado de Alcione, Marcelo D2 e Trio Preto+1, sambista abre temporada de shows do Rider Weekends

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O samba é sinônimo do Rio de Janeiro. A Lapa é sinônimo do samba carioca. E Teresa Cristina é sinônimo do samba carioca da Lapa. A cantora subiu ao palco pela primeira vez vida justamente nos arredores dos arcos brancos sobre os quais passavam os saudosos bondinhos amarelos de Santa Teresa e, se quiser encontrá-la um dia, é só circular por lá.

Mas amanhã (13), Teresa mudará de endereço, mesmo que só por um dia, durante a primeira noite de shows desta edição do evento Rider Weekends, no Jockey Club da Gávea, ao lado de Alcione, Marcelo D2 e do Trio Preto +1. A cantora levará na bagagem a experiência e o entrosamento com o grupo, que já é seu parceiro musical faz tempo, a atmosfera da Lapa e a saudade de Jorge Selarón, artista chileno morto esta semana e que escolheu o bairro para ser seu lar, sendo eternizado na escadaria de azulejos coloridos que construiu e leva seu nome.

“Selarón criou a cara da Lapa! Ele espalhou amor pelas ruas e calçadas com o suor de suas criações”, nos diz Teresa Cristina, portelense de coração e que, apesar do atraso na confecção das alegorias da escola neste ano, mal pode esperar pelo desfile da águia de Madureira pela Sapucaí neste Carnaval.

Heloisa Tolipan: Como será a reunião com o Trio Preto+1, Alcione e o Marcelo D2 no Rider Weekends, no primeiro domingo de shows do evento?

Teresa Cristina: Será um encontro descontraído e alegre, como têm sido as apresentações com o Trio Preto. Já é a terceira participação que eu faço no show deles.

HT: Você é quase sinônimo da Lapa, assim como o Selarón. Por que esse artista chileno, que está eternizado na escadaria de azulejos que leva o seu nome, tinha a cara da Lapa e do Rio?

Teresa: Selarón criou a cara da Lapa! Ele espalhou amor pelas ruas e calçadas com o suor de suas criações. Em um momento em que ninguém pensava em se divertir no bairro, encheu de cor aquele pedaço do Rio, chamou a atenção do mundo para a Lapa. Ainda estou muito abalada com essa perda, não consegui visualizar como fica a Lapa sem ele, só sei que ficamos todos mais tristes.

HT: A Lapa passou por um processo de revitalização há alguns anos, mas, atualmente, apesar do policiamento, a presença de usuários de drogas e os furtos estão aumentando. Essa situação afeta o seu trabalho de alguma forma?

Teresa: Essa situação me afeta como cidadã carioca. A Lapa se fez sozinha, com a iniciativa de empresários, o poder público só deveria prezar pela segurança de quem circula pelas ruas da Lapa, mas isso realmente acontece? Sei que o carioca adora programas a céu aberto, é a nossa cara. Mas pra se divertir na rua é preciso segurança.

HT: Como portelense de coração, como você enxerga os atrasos na confecção das alegorias da escola? Qual seria a solução para contornar a crise na Portela?

Teresa: Ai, Heloisa...por que a Portela não tem dinheiro? Uma escola com a história que tem, com a quadra lotada o ano inteiro, vencedora de tantos carnavais...essa pergunta é muito difícil de responder.

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