Em show histórico, Caetano Veloso e Chico Buarque emocionam plateia carioca

Os dois se reuniram em apresentação que também teve participação do Trio Preto+1, nesta terça (11)

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Em 1972, dois dos maiores mestres da Música Popular Brasileira gravaram o álbum Chico e Caetano Juntos e Ao Vivo, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Quatorze anos depois, em 1986, a dupla reeditou a parceria em um programa especial da Rede Globo. Feliz de quem pôde assistir, na noite desta terça-feira (11), na casa de espetáculos carioca Oi Casa Grande, ao esperado reencontro de Caetano Veloso e Chico Buarque no palco, em um show que, com certeza, já entrou para a História. 

A apresentação, batizada Primavera Carioca, da qual também participou o Trio Preto+1, foi realizada com o objetivo de arrecadar fundos para campanha do candidato à prefeitura do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL). Alguns famosos, como a cantora Maria Gadú, o ator Humberto Carrão e as atrizes Leandra Leal e Maria Flor, passaram por lá. "Eu li que vai ter uma surpresa, espero vê-los cantar muito juntos. Amo os dois!", disse Maria. 

Todo vestido de branco, Caetano subiu ao palco acompanhado apenas por seu violão. Já nos  versos iniciais de Luz do Sol, a plateia parecia embevecida. E assim continuou, em estado de contemplação, enquanto o baiano dava continuidade à primeira parte do show, na qual, sozinho, misturou clássicos de sua carreira a canções que fazem parte da história do Rio de Janeiro. Não teve erro: Caetano conquistou a todos interpretando O X do Problema, de Noel Rosa, Copacabana, de Braguinha, e Pé do Meu Samba, música dele mesmo, momento em que falou como se fosse carioca da gema: "O Rio é a cidade dos brasileiros".

Em um show chamado de Primavera Carioca, Garota de Ipanema não poderia faltar. E a plateia que, até aquele instante, cantava baixinho, levantou a voz e fez um coro afinado de vozes orgulhosas por terem nascido no mesmo país e cidade que Tom Jobim e Vinicius de Moraes, compositores da canção. Ainda em seu momento solo, Caetano fez a alegria do público com Você é Linda, Menino do Rio, Trilhos Urbanos, Leãozinho e Sozinho

O clima mudou para aquele típico de uma roda de samba quando Caetano chamou ao palco o Trio Preto+1. No compasso da cuíca e do pandeiro, eles cantaram juntos Desde que o Samba é Samba, de Caê, e dois dos sambas-de-enredo mais entoados pelos cariocas: Aquarela Brasileira e É Hoje. Seguindo a cadência, quem estava por lá bateu palma e deu até uma dançadinha discreta na cadeira. 

Chico Buarque deu o ar da graça já no final da apresentação e foi aplaudido de pé, antes mesmo de esboçar qualquer palavra. Sentou ao lado de Caetano, pegou seu violão e começou a cantar Medo de Amar, música de Vinícius de Moraes. Em seguida, Chico emocionou o público com Futuros Amantes

Para terminar, os mitos cantaram novamente O X do Problema. Na despedida, a pedido dos fãs, teve bis. Caetano Veloso e Chico Buarque voltaram com os versos de A Voz do Morro, de Zé Keti. "Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim, senhor". E assim acabava uma noite musical antológica em solo carioca.  

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