Exclusivo: um papo com o estreante Brunno Monteiro, pupilo do produtor de Lenine

Cantor vai lançar em outubro o seu álbum de estreia, 'Ecos da Rua', produzido por JR Tostoi

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Brunno Monteiro tem 25 anos, mas desde bem jovem está envolvido com o universo musical. Sempre foi um apaixonado pelo som dos instrumentos, por palavras e pela transformação que a mistura disso em uma canção gera nas pessoas. 

Formado em Biologia, o cantor decidiu dar total prioridade à sua paixão, a música, há apenas dois anos. E não poderia ter feito melhor opção. 'Por um acaso da vida', como ele mesmo diz, Brunno conheceu JR Tostoi, produtor que já assinou trabalhos de Lenine e Caetano Veloso, apresentou algumas de suas canções a ele e pronto: começaria ali a parceria que gerou o Ecos da Rua, albúm de estreia do carioca fã de Nirvana, Alice In Chains, mas inspirado nas mesmas proporções por Chico Buarque, Jards Macalé e Novos Baianos

Brunno está empolgado com o lançamento de seu CD, que vai rolar em outubro (quem quiser ouvir o álbum completo, pode visitar o site do cantor), e pretende transmitir todas as impressões que teve em suas andanças por aí aos que ouvirem o Ecos da Rua. "Me sinto mais 'rock' que os outros nomes dessa geração, mas não quero parecer pretensioso, só desejo passar a minha mensagem musicalmente", afirma o estreante, que conversou com a gente e falou muito mais sobre a vida, música, parcerias e acasos. 

Heloisa Tolipan: Quando surgiu o seu interesse por música?

Brunno Monteiro: Desde pirralho, quando eu comecei a ouvir grunge rock, como Nirvana, fiquei com vontade de tocar guitarra e compôr músicas. A partir do momento que tive contato com a MPB, influenciado por Chico Buarque, Jards Macalé e outros, me senti mais estimulado nesse aspecto da composição. Eles me ensinaram muito.

HT: Como esse interesse se transformou em profissão?

Brunno: Na verdade, isso é engraçado, porque só resolvi há dois anos. Sempre tive banda e levei muito a sério, mas sou formado em Biologia e trabalhava só nessa área até decidir mudar. Hoje em dia, ainda faço uns bicos como biólogo, mas dou total prioridade à musica.

HT: Quais são as suas influências no mundo musical? 

Brunno: Ouvia muito grunge, depois comecei a dar mais atenção à galera dos anos 1970, como os Beatles, e também à música brasileira. Amo Novos Baianos, Caetano Veloso, Chico Buarque e os malditos, Jards Macalé, Tom Zé, Jorge Mautner... Tem muito mais, mas é difícil de lembrar.

HT: O dia a dia no Rio de Janeiro, sua cidade natal e onde você vive, é uma das inspirações desse trabalho?

Brunno: Sim. Eu me inspiro muito na minha rotina, nas minhas observações. Isso acontece no Rio porque moro aqui, mas pode ocorrer em qualquer lugar em que eu possa sentar e observar as pessoas caminhando, conversando, saindo do trabalho, vivendo esses momentos rotineiros.

HT: O 'Ecos da Rua' foi produzido pelo JR Tostoi, que produz a maioria dos trabalhos do Lenine e também já produziu com o Caetano Veloso. Como surgiu essa parceria? 

Brunno: Foi um acaso da vida. Temos um amigo em comum, o Éder Pinheiro, e eu tinha acabado de gravar umas canções só com voz e violão. O Éder mixou e me chamou para casa dele em um dia que o Tostoi estava por lá. Ele gostou das minhas músicas e decidimos gravar juntos.

HT: E o processo de composição do 'Ecos da Rua' funcionou de que maneira? Quais são as referências? E as parcerias, como se estabeleceram?

Brunno: As referências vêm de tudo o que eu ouvi na vida, já as parcerias foram acontecendo por acaso. O Omar Salomão, por exemplo, tinha um amigo em comum comigo, nós nos conhecemos e compusemos Novo Modo e a Ecos da Rua. O mesmo aconteceu com o Marcello Aguiar, que sempre estava no estúdio onde eu gravei o álbum, facilitando a parceria em diversas composições. Já com Ivan Santos, foi diferente: quando eu apresentei a batida de Vem de Vez pro Tostoi, ele indicou o Ivan e disse que ele faria uma boa letra.

HT: Em meio a essa profusão criativa da nova MPB, qual é o seu diferencial? 

Brunno: Fica difícil de falar, não gosto de ficar me comparando a ninguém. Me sinto mais "rock" que os outros nomes dessa geração, mas não quero parecer pretensioso, só desejo passar a minha mensagem musicalmente.

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