Marina Lima exalta Lula e Dilma: 'Tem mais gente do povo aparecendo na música'

Cantora voltou ao seu amado Rio para mostrar seus dotes de DJ na Honda Experience Night

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Na noite de segunda-feira, dezenas de famosos se reuniram no Barzin, em Ipanema, para receber Marina Lima em uma de suas raras vindas ao Rio (é que a cantora está morando em São Paulo há dois anos). No palco, nada de microfones, só o equipamento completo de um DJ para que Marina mostrasse seus dotes aos convidados de Candé Salles na Honda Experience Night. Na fila do gargarejo, Milton Nascimento, que não é de sair à noite e deixou o aconchego de seu lar só para prestigiar a amiga.

Antes de sua performance, puxamos Marina em um canto e, ali mesmo, na pista de dança, conversamos sobre seus próximos lançamentos, um livro e um filme, dirigido pelo amigo Candé, o atual cenário musical brasileiro e suas maiores saudades do Rio. Quem consegue adivinhar quais são?

HT: Recentemente, você disse que o seu livro mostra a sua visão sobre o mundo em que vive. Qual é a análise sobre esse mundo em que você vive? O livro e o documentário já têm previsão de lançamento?

Marina Lima: O livro não é um romance e nem é uma biografia. Na verdade são crônicas sobre as coisas que me interessam, que eu converso com amigos. É sobre canto, sobre família, amigos, São Paulo, Rio, Moda, música... Queria compartilhar esses assuntos interessantes e fui convidada pela Cony Lopes, que era dona da editora Língua Geral, para publicar o livro, que se chamará De-Marina Lima e será lançado em novembro. 

Já o filme é mais complicado para lançar, porque precisamos montar, editar, fazer a finalização. Por isso, decidi que o livro sairia primeiro. Quem está fazendo o filme, que se chamará Chegando ao clímax com Marina Lima, é o Candé. Nós somos muito ligados e ele me acompanhou por três anos durante todo o processo de produção do meu último CD, o Clímax. 

HT: Quais são os artistas e músicas que mais tocam no seu iPod? Aposta em algum nome da nova safra?

Marina: Não estou ouvindo muita música porque estou completamente focada e louca com o livro. Ele tem que sair em novembro e eu preciso entregar tudo em setembro. Mas, da nova geração, lá fora, eu gosto muito de The XX e Gossip. Aqui no Brasil, depois da minha geração, a pessoa que eu mais gosto é a Vanessa da Mata. Da galera mais nova, adoro a Tulipa Ruiz e a Karina Buhr

HT: O que você acha dessa explosão de músicas como Tche rere tche tche e Ai, se eu te pego no exterior? Elas tocam muito em baladas internacionais. Acha que elas podem mudar o modo como o mundo vê o Brasil?

Marina: O Brasil tem uma ginga que os gringos tentam imitar, mas ninguém consegue fazer igual. Eles já beberam do funk, da bossa nova... O mundo é grande, assustador, uma antena, ninguém mais é dono de nada. É importante que o Brasil também tenha bastante coisa para mostrar a esse mundo. Depois do governo Lula e, agora, com o governo Dilma, as pessoas menos favorecidas também estão podendo mostrar o seu talento, tem mais gente do povo aparecendo. Essa representação direta da gente é muito boa para o Brasil. A Bossa Nova não era isso, e o rock dos anos 80 também não era isso, o rock é uma música mundial. Esse movimento está democratizando a imagem do Brasil. 

A cerimônia de encerramento das Olimpíadas, por exemplo, foi uma coisa linda. Marisa Monte cantando Bachianas Brasileiras, Seu Jorge cantando Simonal... Acho que a gente está com tudo em cima. 

HT: Vários jovens talentos da música têm uma sonoridade muito parecida com a sua no início da carreira. Além disso, é comum ouvir Fullgás entre batidas de música eletrônica internacional nas pistas cariocas. Como você vê essa influência da sua música nas novas gerações? 

Marina: Vários amigos meus, inclusive o DJ Zé Pedro, encontram uma galera nova e dizem: “olha, Marina, isso é a sua cara”. Geralmente, não acho essas sonoridades parecidas comigo. Tem muita gente boa que mexe com música eletrônica, com tecnologia, e altera o que já existe por aí, e eu faço uma coisa mais pessoal, mais autoral, por isso acho que não parece muito com o que tenho visto.  Mas essa vontade de criar coisas novas, de mudar com um universo que já existe, isso sim parece comigo. 

HT: Você está morando em São Paulo há dois anos. Do que sente mais falta do Rio? 

Marina: Olhar o mar. E a umidade do ar, especialmente aqui na Zona Sul. São Paulo é muito poluído. No primeiro ano morando lá, fiquei doente oito vezes por causa do ar muito seco e poluído. 

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