Londres 2012: com Ibope abaixo do esperado, Record cumpre seu papel

No entanto, 'cacoetes globais' prejudicam possibilidade de emissora surpreender o telespectador

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A má vontade de certos setores da mídia transformaram a empreitada da Record, em sua primeira cobertura olímpica, exclusiva em um desafio muito mais conturbado do que realmente foi. Afinal, no frigir dos ovos, a emissora conseguiu cumprir de forma digna sua missão, com uma cobertura completa, com dedicação integral de seus jornalistas e uma programação visivelmente moldada pelos Jogos Olímpicos.

Quanto aos índices do Ibope, muito abaixo dos esperados pela direção do canal, há um reflexo claro do vício que atinge o telespectador brasileiro, preso a amarras que denunciam um comodismo da audiência em detrimento de mudanças em seu cotidiano. O público brasileiro é resistente e preguiçoso. Mudar seus costumes e sua visão diante de fatos, eventos, acontecimentos é uma tarefa hercúlea.

Mas, quanto ao trabalho feito pela Record em Londres, independente da resposta popular, o que fica na memória é a dedicação intensa da emissora, cujo maior pecado foi justamente não tentar se desgarrar da imagem tradicional que o espectador tem sobre grandes eventos. Faltou personalidade. Faltou assinatura. Faltou à Record a tentativa de tentar ser menos Globo. Faltou à Record não convocar Rodrigo Faro para comentar uma disputa olímpica, como fez a Globo, no Pan do Rio, com Luciano Huck nos comentários da final do vôlei feminino. Faltou à Record ter mais tato ao exaltar a exclusividade de sua função, com menos menções às câmeras mil, às entrevistas únicas e aos feitos invejáveis de suas reportagens. Isso tudo já estamos cansados de vivenciar nas onanísticas transmissões da Globo.

Não abrir mão de sua programação normal em nome de uma cobertura majoritária das Olimpíadas não estava nos planos da Record, assim como nunca esteve nos da Globo, mas, dentro de sua proposta, bem cumprida, de transmissão maciça, a emissora de Edir Macedo não deixou a desejar no conteúdo que trouxe às nossas casas, mas sim no formato escolhido para tal. Quem sabe, com mais ousadia e menos 'cacoetes globais' os índices de audiência não teriam sido mais satisfatórios? Afinal de contas, para superar a Globo, com certeza, a melhor estratégia jamais será imitá-la...

Por Pedro Willmersdorf

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