'Manter o humor é segredo para viver bem nos dias de hoje', diz Roberto Bomtempo

Ator, diretor e produtor celebra 25 anos de carreira com maratona de espetáculos no Teatro Leblon

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Como era sua vida há 25 anos? Bem, o Flamengo, diferente do atual momento, se sagrava campeão brasileiro (pelo menos, segundo suas próprias convicções); falecia Arlindo Rodrigues, um dos maiores carnavalescos da História; 'Platoon' era consagrado como Melhor Filme na cerimônia do Oscar e nascia Suellen, ou melhor, Ísis Valverde, este arrasa-quarteirão que vemos diariamente na novela 'Avenida Brasil'. Mas dois outros eventos, que se entrelaçam hoje, podem ser remetidos a 25 anos atrás...

Em primeiro lugar, a última encenação de 'Besame Mucho', de Mário Prata, retrato fiel do período da ditadura militar pelos olhos de quatro personagens e seus relacionamentos. Nas palavras do autor, 'uma história de amor entre quatro pessoas, sem as quatro paredes...o jogo é aberto”. E, sem segundo lugar, o início de carreira de um dos nomes mais prolíficos e relevantes da cena dramatúrgica brasileira nos últimos tempos: Roberto Bomtempo, sinônimo de versatilidade traduzida em trabalhos no teatro, TV e cinema.

E, para celebrar este primeiro quarto de século de contribuições a nossa cultura, Roberto decidiu emplacar uma ocupação no Teatro Leblon,  em três peças em que atua: “Raul fora da Lei – A história de Raul Seixas”, espetáculo que completou esse ano 10 anos de carreira; “Espia uma mulher que se mata”, que, após duas temporadas de sucesso no Rio de Janeiro, foi indicado ao Prêmio Shell 2009; “Tomo suas mãos nas minhas”, que estreou em 2010 e lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Shell 2010 como melhor ator. 

Bomtempo também acabou de rodar seu segundo longa-metragem - “Mão na Luva”, com texto de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) - como diretor, ao lado de José Joffily. E, para finalizar as comemorações, Bomtempo retorna aos palcos como diretor no espetáculo “Besame Mucho” (mas corra, pois a curta temporada, também no Teatro Leblon, vai até o dia 22), aquele que não recebia uma montagem há tanto tempo, e agora caiu nas mãos deste múltiplo das artes, com qual trocamos três dedos de prosa, antes de darmos parabéns pelos seus 25 anos de carreira.

Teatro, cinema, TV:  pode parecer clichê, mas é imprescindível perguntar se você "se encontra" de verdade em algum destes universos. E mais: à frente ou por trás das câmeras?

Roberto Bomtempo - Tenho um encontro profundo com o teatro (minha casa e minha escola) e com o cinema (minha paixão). Estar realizando qualquer dessas atividades, seja como ator ou como diretor, me proporciona uma grande alegria e sensação de plenitude.

'Besame Mucho' não ganha uma encenação há 25 anos, idade exata de sua carreira. Qual a sua relação com a peça e as obras de Mário Prata?

RB - Sempre fui admirador dos textos do Mário. Seja no teatro, na literatura ou na TV. Ele é um mestre em tratar de temas profundos a qualquer ser humano, mantendo o humor, o que, na minha opinião, é o segredo para vivermos bem nos dias de hoje. Participei como ator de uma montagem frustrada da peça em 1991 e desde então guardei o desejo de um dia dirigi-la.

Nesses 25 anos, ficou para trás algum projeto esquecido e no qual você gostaria de mergulhar agora? E daqui a 25 anos, onde e o quê você deseja estar fazendo?

RB - Sempre tive e continuo tendo muitos projetos. Projetos que brotam da necessidade de dizer coisas. O que mais desejo estar fazendo nos próximos 25 anos é continuar vivendo no e do teatro e cinema. Sempre guardando um tempo precioso para estar em harmonia com a natureza e meus queridos familiares.

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