Exclusivo: Silvia Damiani, da infância entre joias à amizade com Sharon Stone

Coluna conversa com a vice-presidente da joalheria italiana Damiani, que promete vir logo ao Brasil

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Todos os dias, assim que chegava do colégio, ela descia as escadas de casa em direção ao ateliê de seus pais, onde joias luxuosas e exclusivas eram produzidas há anos. A visita tinha apenas um motivo: segurar um valioso broche, em ouro amarelo, repleto de esmeraldas e brilhantes, contra o seu vestido e se admirar em um dos espelhos da loja - tudo sob o olhar atento de seu pai. Pode parecer conto de fadas, mas foi entre pedras preciosas e joias de design tipicamente italiano que Silvia Damiani cresceu. Atualmente, ela é a vice-presidente e diretora de relações públicas da Damiani, império joalheiro que seu avô, Enrico Grassi Damiani, fundou, em 1924.

No meio da folia do Carnaval de Salvador, ficamos encantados pelas joias escolhidas por Sharon Stone para pular ao som do axé. A assinatura? Exatamente, Damiani, marca da qual é embaixadora e parceira no projeto Clean Water, em prol da população africana.

Em sua agenda atribulada, Silvia arrumou uma brechinha para conversar com a gente sobre a relação da Damiani com Sharon, sua infância entre ourives e pedras preciosas e, oba, a vinda da joalheria para o Brasil, que deve acontecer logo, logo. 

Heloisa Tolipan: Atualmente, o Brasil é a sexta maior economia do mundo. Como a Damiani está investindo aqui? Onde podemos encontrar suas joias?

Silvia Damiani: O Brasil é um mercado muito interessante, que está aproveitando a alta taxa de crescimento e está aberto a produtos feitos na Itália. Infelizmente, as taxas de importação de joias são incrivelmente altas. Damiani não está no Brasil ainda, mas nós estamos estudando o melhor modo de nos aproximarmos de um mercado tão interessante. Provavelmente, faremos isso através de um parceiro brasileiro.

HT: Quando falamos sobre a produção de pedras preciosas, como o mundo nos enxerga? A Damiani usa as pedras brasileiras?

Silvia: O Brasil é conhecido por suas maravilhosas esmeraldas, águas-marinhas inacreditáveis e outras lindas pedras semipreciosas. E sim, nós usamos pedras brasileiras.

HT: Você pretende vir ao Brasil? Quando?

Silvia: Esperamos que muito em breve como uma marca e, pessoalmente, antes disso ainda! Seu país é muito bonito.

HT: Como foi crescer em ateliês e joalherias? O que os seus amigos do colégio falavam sobre a sua vida?

Silvia: Gosto de lembrar de um dos meus rituais da infância. Todos os dias, quando voltava da escola, parava no ateliê dos meus pais, que era bem embaixo da nossa casa. E sempre, sob o olhar atento do meu pai, pegava o que gostava de chamar de ‘cavalinho verde’, era um broche de ouro, esmeraldas e diamantes. Gostava só se segurar o broche sobre o meu vestido e olhar, satisfeita, o meu reflexo no espelho antes de subir as escadas para casa.

Crescer em Valenza (cidade italiana que produz joias luxuosas por séculos) facilitou as coisas. A maior parte das pessoas que conhecíamos trabalhava com joias também.

HT: Por que você escolheu Sharon Stone para ser o rosto da Damiani? O que ela trouxe para a marca e o que ela absorveu da Damiani?

Silvia: Sharon Stone não é apenas uma amiga da família, mas uma das estrelas mais comprometidas e sensíveis a causas sociais e aos necessitados. Por isso ela escolheu a Damiani como parceira em um projeto internacional pelo povo africano, o Clean Water. Sharon não é só o nome da Damiani desde 2008, ela também é uma apaixonada pela marca, realmente usa nossas joias no dia-a-dia e em grandes eventos e red carpets.

HT: O quanto Sharon Stone pode aumentar o valor de uma joia usada por ela?

Silvia: É difícil ser precisa, mas posso dizer que Sharon Stone, com sua elegância e estilo, ajudou no crescimento geral da marca.

HT: Quais foram as outras estrelas da Damiani antes de Sharon Stone?

Silvia: Muitas celebridades usam as nossas joias. Além disso, Damiani foi a primeira joalheria do mundo a fazer sua comunicação através de embaixadores, selecionando-os para representar melhor a marca. Para nomear apenas alguns, Isabella Rossellini, Chiara Mastroianni, Brad Pitt, Nastassja Kinski, Milla Jovovich, Jennifer Aniston, Gwyneth Paltrow, Sophia Loren... São nomes bem diferentes entre si, mas todos têm em comum o talento, classe e elegância que entram em perfeita sintonia com a Damiani.

HT: O que torna a Damiani diferente das outras joalherias tradicionais?

Silvia: Damiani é uma das poucas marcas completamente italianas que preservou sua tradição e filosofia. Somos uma empresa de capital aberto, mas que ainda é comandada pelos netos do fundador, eu e meus dois irmãos. Nós dirigimos a única joalheria contemporânea que foi fundada por um fabricante, e não por um revendedor, como a maioria dos nossos concorrentes.

HT: As joias feitas por Enrico Grassi Damiani, em 1924, ainda influenciam o design atual? Se sim, como podemos ver sua chancela nas peças?

Silvia: Hoje, a Damiani é a maior representante da joalheria de luxo feita na Itália, popular ao redor do mundo graças a uma combinação perfeita de tradição, habilidade, design, qualidade, modernidade e inovação. Cada joia da Damiani é o resultado de quase um século de história. A maior parte do trabalho em nossa fábrica ainda é feita cuidadosamente por ourives e mestres. Alguns dos instrumentos podem ter mudado, mas a técnica ainda é a mesma de quando Enrico Grassi Damiani criou a empresa, em 1924.

HT: Quais são os seus best-sellers?

Silvia: A Damiani tem peças exclusivas e coleções. A linha Belle Epoque é uma das coleções mais bem sucedidas que já tivemos, assim como a San Lorenzo, D-Side, Metropolitan Dream e Gomitolo, só para citar algumas.

HT: Quem é a consumidora Damiani no passado e agora? As estrelas da marca (como Sharon Stone) influenciam diretamente o perfil da consumidora?

Silvia: A nossa cliente é, certamente, agora e no passado, uma mulher refinada, apaixonada por tudo o que é bonito e sofisticado e é alguém que aprecia a elegância e a qualidade. Ela é uma mulher clássica, mas moderna, que só quer o melhor. As embaixadoras da marca nos tornam imediatamente reconhecíveis. 

Também fazemos joias masculinas, como abotoaduras elegantes e simples, braceletes e pingentes que estão fazendo bastante sucesso.  

HT: A violência nas grandes cidades afeta o consumo de joias? Como?

Silvia: A violência é um problema recorrente nas grandes cidades, mas uma bela joia é uma alegria para sempre. Em todas as cidades do mundo existem ambientes seguros onde você pode usar uma joia refinada. Nós também oferecemos um seguro gratuito contra roubo a todos os nossos clientes.

HT: Quais são os maiores desafios da Damiani atualmente?

Silvia: Certamente, estarmos ligados em um contexto internacional e consolidar nossa presença em mercados que já entramos (como a China, por exemplo) e desenvolvê-la nos novos, como a Índia e, muito em breve, o Brasil. Abrimos uma loja em Nova Delhi no final de março, como o nosso primeiro passo no país, e estamos pensando em uma série de estratégias em países que queremos aumentar a nossa presença futuramente, como o Brasil.  

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