Matrimônio entre luxo e templo de consumo, sob as bênçãos de Samuel Cirnansck

Em Brasília, onde mercado de luxo bate recordes, estilista alça mais um voo em sua carreira

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Se a noiva vem toda de branco, e, além disso, ousada e com detalhes incríveis no vestido, pode apostar alto que a assinatura do look deve ter a chancela de Samuel Cirnansck, sócio majoritário de santo Antônio quando o assunto é moda aliada a casamentos. Mas, não se engane, a arte da costura de Samuel vai muito além...

E, para inaugurar mais uma edição, o ParkFashion, agora Connection, convocou o estilista, soberano na São Paulo Fashion Week, para trazer à passarela da fashion week brasiliense sua coleção Outono/Inverno 2012. No entanto, antes de apresentar mais uma série de obras de artes emolduradas por corpos esguios, Samuel conversou um pouco conosco sobre a logística deste mercado que vai muito além das salas gélidas de desfiles.

HT- Deixando um pouco de lado o eixo Rio-São Paulo, de quais partes do país você tem mais clientes?

O estado que mais vendo é Paraná, em segundo lugar vem Mato Grosso do Sul e, depois, alguns estados do Nordeste. Também tenho clientes em Brasília, claro, mas sinto que preciso me aproximar mais e o ParkFashion Connection me dará oportunidade de mostrar meu trabalho diretamente para as pessoas.

HT- Você é um dos grandes nomes da São Paulo Fashion Week; no ano passado, entrou no line-up do Minas Trend Preview; e, agora, está levando a sua coleção de Inverno até Brasília. O que o atrai nas semanas de moda Brasil afora para que você queira mostrar seu trabalho nelas?

Já exportei para os Estados Unidos e Europa, hoje mais de 90% dos meus vestidos são vendidos no Brasil, estamos trabalhando muito para suprir o mercado nacional e isso me deixa muito orgulhoso. Este ano pretendo apresentar uma coleção de vestidos de festa em algumas capitais, para as quais já estamos vendendo a coleção prêt-à-porter, com o objetivo de reforçar e aumentar a parceria com as multimarcas.

HT- Como está sendo o retorno do investimento nessas semanas fora do eixo Rio-SP?

Em 2010, retomamos a produção do prêt-à-porter de luxo, com projeção de vender nossos vestidos para apenas três lojas multimarcas por ano. Vendemos apenas para uma cidade em cada estado, e esta cidade não tem necessariamente que ser a capital, como é o caso de Rondonópolis (MT). Atualmente vendemos em Curitiba, Porto Alegre, Rondonópolis, Salvador e Belém do Pará.

HT- Enquanto os países 'ditadores' da moda têm uma ou duas fashion weeks por temporada, o Brasil tem, pelo menos três (incluindo o Minas Trend Preview). Por que você acha que aqui ocorre essa profusão de desfiles? Acha que o número de semanas de moda deveria ser reduzido? O que você mudaria no nosso calendário fashion? 

Muito se tem discutido atualmente em relação às várias semanas de moda no Brasil. Na verdade, todos os países têm semanas de moda paralelas às oficiais, que têm um enfoque comercial. Acredito que o Brasil deveria ter a SPFW como semana de moda oficial brasileira, focada no lançamento autoral de moda, e desfiles paralelos, que são direcionados ao consumidor real. A marca Samuel Cirnansck sempre participou de eventos fora de São Paulo, pois vejo neles a oportunidade de levar nosso produto a novos consumidores que não são ligados ao mundo fashion.

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