Como será o amanhã? As crises da moda em meio à semana de Nova York

A Mercedez Benz Fashion Week de Nova York começou e surgem novas discussões no fashion world

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A moda está passando por um momento de transição. Ainda não está muito claro para que lado e nem o que está por vir. Mas do jeito que está parece que não continua. E todas essas mudanças já estão acontecendo há algum tempo. Se formos analisar, neste sábado, já são dois anos que o grande Alexander McQueen morreu, muito pela depressão causada pela perda da mãe e muito pela pressão que a indústria da moda fazia (por exemplo, um mês antes, ele apresentou coleções em Milão, Paris e Londres). No Brasil, as semanas de moda estiveram “discutindo” o processo criativo, tanto pela pausa de algumas marcas e estilistas, como Ronaldo Fraga, como através das exposições retratando o tema. 

A semana de moda de Nova York, que começou na quinta-feira, dia 9 de fevereiro, trouxe uma outra discussão, voltada para as modelos. Logo, na segunda-feira (três dias antes da fashion week), foi lançado o The Model Alliance, idealizado por Sara Ziff, para regulamentar a profissão de modelo e dar um suporte às meninas. A Mercedes Benz Fashion Week começou com a promessa do Conselho de Designers Americanos(CFDA), presidido por Diane von Furstenberg, prezando pela saúde, de fiscalizar rigorosamente a idade das modelos (não poderiam ser menores de 16 anos) e seus horários de trabalho, com o apoio da “Vogue” do mundo todo e o “The Health Institute” (embora, segundo o New York Times, haja, pelo menos, duas modelos com idade menor que a estipulada, uma delas é Ondria Hardin).

Como se pode perceber o meio como um todo está em debates, o que significa nada mais que estamos passando por um processo de reestruturação. Talvez, o que estejamos realmente precisando é de “alguém novo que nos traga uma outra visão” (que não estamos conseguindo ter?), porque, convenhamos, na moda sempre foi assim. Desde Frederick Worth, pai da alta costura e “criador” da etiqueta, passando por Coco Chanel, que libertou a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do século 19, Christian Dior, com o New Look, trazendo de volta o luxo após a época da guerra, ao início da moda comportamental dos anos 60, começado pela minissaia de Mary Quant, até chegar a década de 90 quando foram  “resgatadas” as poderosas maisons (por grupos investidores, como o LVMH), época também das supermodels e de toda uma nova geração de estilistas, como Marc Jacobs, Tom Ford, John Galliano e McQueen. 

Porém, mais ou menos de uma década atés os dias de hoje, o que temos vistos nada mais são do que releituras das décadas do século passado (admitimos que algumas criações são magníficas e majestosas, mas, ainda assim, sempre releituras). Talvez o problema seja mesmo o processo criativo nessa era tecnológica em que vivemos, na qual a tendência de hoje já não serve para amanhã, e estilistas são forçados a criarem cada vez mais em um menor espaço de tempo, juntando a isso a questão ambiental e ainda os tecidos tecnológicos, ou por que não a roupa tecnológica? Talvez essa rapidez tenha superado a busca pelo novo da moda, ou talvez não. Talvez, a moda seja mais uma indústria que esteja passando por “crise” e, isso tudo tenha a ver com o ano de 2012. Afinal, não tem quem acredita que não será o fim do mundo, mas, sim, uma guerra que acontecerá, muito mais ideológica e comportamental, o que resultaria em uma nova organização de sociedades? 

Bom, o que irá acontecer ninguém sabe ou pode saber. Então, o jeito é ir vivendo e vendo. Enquanto essas dúvidas permeiam o mundo e a moda, nas passarelas de Nova York, que abriga as coleções mais comerciais da temporada, os maiores destaques foram: a década de  40 (Richard Chai Love, Cynthia Rowley), a de 70 (BCBG Max Azria), o minimalismo dos anos 90 (Helmut Lang, Peter Som) e a alfaiataria (DKNY Men, John Barlett, Doo Ri). E Jason Wu, o “diferente”, levou a China através do militarismo, da dinastia Qing nos bordados e a vista por Hollywood com muito vermelho e rendas clássicas.

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