Crônica - 'Big Bode Brasil': por que a 12ª edição do reality global não engrena?

Uma breve análise sobre o fraco desempenho do programa, tanto nas ruas como no Ibope

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Por Pedro Willmersdorf

Você consegue notar a repercussão de qualquer programa de TV por duas vias muito distintas que, nem sempre, andam de mãos dadas. A primeira dela está nas telas dos medidores de audiência, seja qual for o instituto a aferir os picos e médias de determinada atração. A segunda é o famoso boca a boca, a voz das ruas e, hoje, das mídias sociais. 

No caso do programa 'Mulheres ricas', por exemplo, números e repercussão caminham em trajetos contrários: enquanto o reality da Band não consegue, sequer, incomodar as emissoras líderes do Ibope, suas personagens se tornaram sensação, com direito a bordões caindo na graça da galera. Hello, cadê minha tacinha? 

Difícil analisar o 'fenômeno das peruas', se comparado ao que vem sofrendo esta décima segunda edição do 'Big Brother Brasil', morna (quiçá gelada), tanto nos aparelhos do Ibope (com derrota para a série 'Rei Davi', da Record, em dia de paredão) quanto nas ruas. É oficial: deu bode no telespectador do reality show mais duradouro da televisão brasileira. Mas, por quê?

Teria o elenco sido mal escolhido? Talvez seja este o cerne da problemática, pois formatos são repetidos há dez anos, durante a peneira que pinça os protótipos que são abrigados na 'nave-mãe'. Tem princesa, tem galã, tem nerd, tem caubói: teria o público, em casa, cansado, de repente, de receber em sua sala os mesmos personagens?

Quem sabe o foco não seja o perfil dos participantes, mas sim o vício explícito que estes, da décima segunda edição, demonstram. Nunca antes em uma temporada do programa ficou tão claro que cada jogador sabe, pelo menos em tese, o caminho das pedras para chegar à final. Frases a serem evitadas, outras que devem ser ditas, olhares para as câmeras. Parece que, finalmente, o manual foi decorado por cada 'enjaulado', levando o jogo para o caminho da monotonia.

Mas, entre especulações tantas sobre causas para a lombeira que tomou conta do 'BBB' este ano, a aposta no cansaço dos que montam a lona talvez seja a mais certeira: Pedro Bial transparece impaciência, a edição não expressa mais a genialidade de cortes de outrora, as provas caíram no lugar-comum da praticidade (inclusive de produção) e anda faltando, inclusive, a Boninho, o imperador da intervenção, pulso firme para dirigir o jogo para uma estrada que não preze pela aventura sonolenta que vem sendo exibida na TV. É, deu bode no 'BBB'. Será que, ao fim deste capítulo 12, a vaca vai para o brejo?

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