HT na TV: o bafo do Bispo Macedo no domingo da Record

Editor da coluna, Pedro W. comenta reportagem no 'Domingo espetacular', em que todo-poderoso da emissora rebate nota publicada pela Veja

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A partir de hoje, você, caro leitor, terá aqui na coluna acesso a mais uma seção com muita opinião, como é de praxe: a 'HT na TV', em que nosso editor, Pedro W., versará sobre os assuntos mais bombados na telinha. Para cortar a faixa, vamos ao bafo que dominou o domingo: a entrevista de Bispo Edir Macedo ao 'Domingo espetacular'. 

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A reportagem exibida pela Rede Record, ontem, com uma entrevista polêmica do Bispo Macedo, configura em pixels a ideia maior do ditado 'Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra'. Neste caso, são cacos em chuva torrencial, por conta do fogo cruzado entre a emissora paulista e a Veja.

De um lado, Macedo & Cia. Do outro, um jornalismo contestado há décadas, por conta de uma parcialidade incômoda e sempre suspeita. E, em um terceiro viés, o telespectador, passivo diante de um espetáculo de acusações e 'verdades construídas' por meio de um discurso conveniente para ambas as partes.

A Record está em crise? Segundo Macedo, longe disso, com direito a inquérito durante a matéria, perguntando sobre atraso de salários, inclusive ao repórter que o entrevistava. Constrangedor, no mínimo.

A Record está em queda na audiência? Segundo Macedo, longe disso, com direito a gráficos e números que demonstram curva descendente da Globo e ascendente de sua emissora nos últimos anos. No entanto, durante todo o domingo, a vice-liderança, tão celebrada pelo bispo, era conquistada pelo SBT, de Silvio Santos. Incoerente, não?

Mas, para sermos justos, é louvável também a nova dinâmica impressa pela concorrência da Record ao mercado televisivo, obrigando a Globo, antes soberana, a repensar suas táticas, reconquistando, inclusive nomes que havia perdido para a emissora dos bispos, como Gabriel Braga Nunes e Marcelo Serrado (citados por Macedo durante a entrevista).

Enfim, entre acusações, alfinetadas e reportagens chapa-branca, parece que a guerra não terá fim tão cedo. E nós, em uma trincheira confortável (mais conhecida como sofá de casa), assistindo a este espetáculo e tendo a opção de escolher, como respeitável público que somos, o que é verdade e o que é mentira.

por Pedro Willmersdorf

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