HT decreta: a palavra é indignação. O que os adolescentes têm a dizer?

Fomos às ruas do Rio para descobrir o que desperta a revolta dos nossos jovens

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HT decreta: a palavra é indignação. “Sentimento de cólera, despertado por ação indigna, ódio e raiva”, segundo o Aurélio. O sentimento descrito no dicionário não afeta só a “gente grande” que precisa lidar diretamente com os problemas das grandes cidades. Nas ruas, bueiros explodem a cada minuto, os corruptos fazem suas falcatruas como se não estivessem sendo observados e os jovens, na faixa dos 12 aos 17 anos, que encontramos em um shopping da Zona Sul carioca, mostram o que têm a dizer sobre o que os deixa indignados – desde a pouca idade para entrar em uma boate de Búzios à ganância que move o capitalismo. 

“A violência me incomoda muito. Não só em São Luís (do Maranhão), onde eu moro, mas no mundo todo. As pessoas estão se matando sem motivo nenhum” Gabriella Maria Bezerra, 13 anos

“Ser sempre a mais nova, tanto no meu grupo de amigas, quanto no colégio. Até dentre a minha turma eu sou a que tem menos idade!” Thainá Vital, 12 anos

“No meu caso, o problema é não conseguir entrar no cinema para ver os filmes que quero, como aconteceu com o último da série Jogos Mortais. Tenho que esperar para ver em casa” Isadora Brandão, 14 anos

“Ah, ser novinha me irrita muito! De que adianta ir para Búzios se não podemos entrar na Privilége? E usar uniforme também! Porque lá no colégio só o 9º ano usa uniforme, o ensino médio não. Então fica na cara que você é mais nova!" Georgia Brener, 14 anos.

“O trânsito do Rio acaba comigo. A gente não consegue fazer nada! Por causa dele, cheguei meia hora atrasada e perdi a minha sessão de cinema. Agora, tenho que ficar aqui sozinha esperando a minha irmã chegar para vermos a próxima” Camila Beatriz da Silva, 13 anos

“Fico indignada quando vejo muita sujeira na praia, é preciso fazer um trabalho de conscientização para acabar com isso. Eu não levo um saquinho, mas jogo o meu lixo na lixeira e ainda pego o que as pessoas em volta ‘esquecem’” Larissa da Cunha, 14 anos

“Ah, desigualdade social. É clichê, mas é realmente revoltante. Eu não posso sair de casa com um celular bom porque posso não voltar para casa com ele! Ih, resposta clichê e motivo egoísta, mas é isso mesmo.” David Ricon, 16 anos

“Hipocrisia. Quando vejo pessoas que declaram seu preconceito com alguma coisa e depois fazem exatamente aquilo que dizem abominar, fico revoltada.” Bruna Lima, 16 anos

“Sem dúvida o capitalismo. Não entendo como as pessoas conseguem desvalorizar elas mesmas e os outros por dinheiro.” João Pedro Nunes, 16 anos.

“Preconceito me deixa indignada, julgar as pessoas antes de conhecer. Sinto muito isso quando vejo meus amigos gays que são julgados pelas outras pessoas antes de serem percebidos como pessoas ótimas e interessantes.” Larissa Dutra Chao, 16 anos

“Morro de raiva quando alguém vem se meter com o que eu escrevo no meu Twitter. Ficam me censurando porque coloco tudo o que acontece comigo, mas não é para isso que o Twitter serve? A pergunta que está lá é ‘o que está acontecendo?’ afinal!”. Vitória Almeida, 13 anos

“Me revolta ver jovens entrando em lojas de uniforme, especialmente de colégios públicos, e serem imediatamente perseguidos por seguranças, como se fossem roubar alguma coisa. Parece que eles não entendem que tem gente com dinheiro que também rouba.” Érika Bernardino, 15 anos

“O que me indigna são pessoas que repreendem os outros pelo o que eles são. Já sofri preconceito por causa desse pré-julgamento. Parece que não temos liberdade para sermos o que queremos.” Leonardo Torres, 14 anos.

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