Eternos traços de Paulo Casé celebrados entre amigos em noite de emoção

Arquiteto renomado lança livro e celebra 80 anos de vida em festa no 00, na Gávea

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Quem passa pela Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio, pode ver tradicionais edifícios ao longo da via que margeia a praia, como a clássica torre do antigo Hotel Meridien ou o encantador prédio do Marriot Hotel. E o responsável por essas obras, além de outras tantas, é o arquiteto carioca Paulo Casé, que já projetou também o Rio Cidade em diversos bairros da Cidade Maravilhosa.

Esta última frente talvez tenha gerado a maior polêmica da brilhante (e atemporal) carreira de Casé, por conta do Obelisco e da Passarela de Ipanema. Construídos em 1996, os monumentos foram duramente criticados por moradores da região e diversos políticos, por sua aparência e funcionalidade. Sobre a polêmica, Paulo não se mostra chateado, mas não gasta muitas palavras. “Está tudo no livro” – disse, em papo com a coluna.

O livro a qual ele se refere se chama Paulo Casé – 80 anos: Vida, Obra e Pensamento, lançado recentemente pela Casa da Palavra. Quinta-feira, uma festa, no 00, na Gávea, celebrou a obra, além de comemorar os 80 anos do ilustre arquiteto, completados em junho. 

Outro presente foi a foto, que pode ser conferida no livro, com toda sua família reunida, pela primeira vez. Aliás, Regina Casé, sua sobrinha ilustre, também prestigiou a noite de festa, acompanhada pela filha, Benedita. Ela contou que, como era vizinha do tio, passou a infância frequentando sua casa, com suas irmãs Virgínia e Patrícia. Os primos Luis, Augusto, Hamilton e Marcelo, filhos de Paulo, completavam a trupe do barulho.

Por pouco, a apresentadora não seguiu os passos do tio. “Eu ficava na casa dele até tarde, vendo as plantas, apaixonada. Queria ser arquiteta também. Tinha muito orgulho de ver os prédios nas ruas, como o do Meridien, e contava para os meus amigos que meu tio havia projetado”.

E além de Regina, claro, outros admiradores da família de Paulo estavam a seu lado nesta data tão queria. Como seu filho, o produtor de cinema Augusto Casé, que preparou um vídeo especial, exibido em um telão na festa, mostrando fotos da vida e da carreira do pai.

“O mais legal de tudo é ver que esse jovem de 80 anos ainda realiza projetos e sonhos”, comentou, para depois completar: “Ele tem uma preocupação constante em fazer um trabalho para a população, para o povo, algo que não seja somente belo, mas que também integre a cultura regional com a sociedade. Essa é a herança que ele quer deixar para a cidade".

Para completar, Augusto ainda disparou uma curiosidade sobre o pai: ele conta que certa vez, quando da construção do Othon Hotel (Salvador), na Bahia, o empresário responsável pela rede hoteleira entrou na cozinha e ficou impressionado com o tamanho dela. “Ele se virou para meu pai e falou: 'Sabe o que nós vamos preparar aqui para o jantar?! Elefante ao molho de camarão!' – brincando com o tamanho da cozinha e com a tradição do molho de camarão na Bahia”.

Além dos famosos, o arquiteto também recebeu o carinho de diversos amigos e amigas, entre elas, a empresária Lily Osório: “Conheço o Casé há quase 30 anos e, desde então, sou fã dele. Além de ser um arquiteto genial, ele é uma pessoa fantástica, um homem muito rico culturalmente, estudioso das artes”.

Aproveitando a oportunidade, a amiga diz que, apesar da idade, Casé continua fazendo sucesso com jovens que ingressam na profissão: “Ao contrário do que possa parecer, devido à idade, ele é moderno e inovador. Os jovens têm um prazer enorme em aprender com ele e isso é único”, declarou, emocionada.

Sérgio Rodrigues, 84 anos, grande nome da arquitetura e do design de móveis, aproveitou para colocar o papo em dia e brincou com o amigo: pegou uma das velas de decoração das mesas da boate onde ocorreu o evento e disse: “Casé, assopra aqui e faz um pedido”.

O autor da famosa poltrona mole fez uma verdadeira declaração de amor ao amigo: “Ele pertence a um grupo restrito de bons arquitetos, cuja obra leva em consideração o lado humanístico, o que é muito difícil de ver nos outros arquitetos dos dias de hoje. Ele é um “Arquiteto” assim mesmo, entre aspas, porque é muito mais que isso: é um verdadeiro pensador”. 

Acompanhado pela mulher, Guga Casé, o homenageado da noite (e aniversariante do mês, já que seu aniversário foi em 2 de junho) recebia os cumprimentos dos convidados, enquanto falava sobre as obras na Zona Portuária. “Há oito anos, quando o Alfredo Sirkis era o secretário municipal de Urbanismo, vencemos a concorrência da licitação das obras na Praça Mauá, no Centro do Rio. Imaginei algo que permitisse que a praça respirasse, integrando-a com o restante dos edifícios, por isso criei aquele viaduto que faz um contorno por fora da praça”, comentou.

Questionado sobre sua paixão pela arquitetura, ele contou que ouvia as obras dos maestros Villa-Lobos e Marlos Nobre e queria ser como eles. Isso o inspirava a criar algo genuinamente brasileiro, que mexesse com a emoção dos cidadãos e, para tanto, buscou usar todos os instrumentos possíveis para integrar a geografia com a arte.

Sobre as obras para a Copa do Mundo, que será realizada no Brasil e as Olimpíada de 2016, sediadas pelo Rio, Casé foi contundente: “Parece que estamos na Idade Média. A questão não é o andamento das obras e nem transparência pública, mas sim a falta de processo cultural no Brasil. Tudo aqui é feito às escuras e ninguém fala nada. Falta realmente algo como o que vi em Paris, em um pavilhão chamado Arsenal. A ideia é de que todo lugar público, toda construção seja colocada às vistas de todos, para que haja crítica e opinião acerca daquilo.”

Outra crítica do arquiteto versa sobre o computador, que “se enfiou no processo de criação” e dificulta ver quem são as novas promessas, pois “tudo ficou muito prático e ágil”. Para ele, o importante em arquitetura é ter “presença no passado, lembrando do presente e olhando para o futuro”.

No fim da noite, os amigos de Casé e demais convidados ilustres se despediram. Com a família reunida para o jantar no salão da boate, foi a vez de sua neta Luiza assumir o comando da festa.

A cantora subiu ao palco, já perto da meia-noite, acompanhada de sua banda, Os Gutembergs, e fez um show especial para a família e muitos amigos que foram prestigiá-la.

A estudante de Direito, de 21 anos, participou do “Geleia do Rock”, reality exibido no canal Multishow, e lá conheceu o restante do pessoal com quem viria a formar a banda.

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