Seleção do absurdo

No teatro de absurdo que vive o futebol brasileiro (comandado, por baixo dos panos, por um cidadão banido do esporte pela Fifa e procurado pelo mundo afora pelo FBI), pode-se viver hoje mais um triste ato dessa ridícula ópera bufa. Em sua primeira aparição oficial desde que o Brasil foi eliminado pela Bélgica, na Copa da Rússia, o técnico Tite convocará a seleção para dois amistosos inexpressivos e desimportantes: contra os Estados Unidos e El Salvador, respectivamente, nos dias 7 e 11 de setembro, nos EUA.

Os convocados, por motivos óbvios, poderão desfalcar os seus times em um momento decisivo da Copa do Brasil, torneio que vale a bagatela de R$ 50 milhões para o campeão e a metade para o vice. Além, claro de não jogarem também em duas rodadas do Brasileiro. Faz algum sentido? Obviamente, não. O calendário do nosso futebol já está um caos. Para que piorá-lo neste ano, em que não há rigorosamente mais nada de importante a fazer em termos de seleção?

Em tempo: há pressões internas, na CBF, para que não se convoque, desta vez, jogadores de Cruzeiro, Corinthians, Flamengo e Palmeiras, envolvidos nas semifinais da Copa do Brasil. Resta saber se funcionarão. 

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Perguntas, por favor!

A única coisa positiva dessa bizarra convocação será a possibilidade de fazer a Tite as perguntas que ficaram sem resposta após o Mundial. Isso, claro, se os colegas que lá forem se portarem como jornalistas de verdade e não meros puxa-sacos levantadores de bola para que o treinador exerça o seu conhecido estilo escorregadio de encantador de serpentes e palestrante de autoajuda. Algumas sugestões básicas:

1 – Pretende ter uma conversa séria com Neymar, para que ele mude a postura que o transformou numa piada internacional ou acha que ele não fez nada demais e é perseguido pelo mundo todo? 

2 - Neymar, seu pai e seus “parças” continuarão a ter trânsito livre para fazerem o que bem entenderem na seleção ou a comissão técnica deixará de ser paternalista e permissiva com os jogadores?

3 – Quais foram as lições táticas que tirou da Copa? Onde foi surpreendido e o que pretende mudar no estilo do Brasil para que a seleção consiga ter diante dos rivais europeus a eficiência demonstrada contra adversários sul-americanos?

4 - Com o surgimento da Liga das Nações, como conseguir amistosos contra as principais seleções europeias?

5 – Quais os planos para a Copa América, no Brasil, no ano que vem? Continuarão a ser chamados jogadores veteranos que, comprovadamente, não funcionaram em dois Mundiais seguidos, como Paulinho e Fernandinho, ou o ciclo deles pode ser considerado encerrado na seleção? Acredita que jovens como Vinícius Jr., Paulinho, Rodrygo, Militão, Pedro e outros podem se firmar na seleção a curto prazo?

6 - É verdade que na Rússia a comissão técnica chegou a ser formada por 40 pessoas? O que fazia tanta gente por lá? Quantos serão, a partir de agora? Em que cargos?

7 – Por que, nesse tempo todo evitou falar com a imprensa? Qual o seu balanço, o seu mea-culpa? O que faria diferente, se pudesse? E o que se deve esperar de diferente nos próximos quatro anos de trabalho?

É mais ou menos isso aí.

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Monstro

Nunca tinha visto um goleiro pegar todos os pênaltis e classificar o seu time, como fez Fábio, do Cruzeiro, diante do Santos, na quarta-feira passada, pela Copa do Brasil. Por pouco, o time de Mano Menezes não deixou escapar uma classificação que parecia garantida, após a vitória na primeira partida, na casa do adversário. Um alento para o Flamengo, em sua missão quase impossível de reverter a situação para seguir na Libertadores. Pessoalmente, não creio que seja possível, mas como diz aquele velho ditado “no está muerto, quien pelea”.

Em tempo: Mano foi um dos muitos treinadores da seleção que nunca convocaram Fábio. Será que hoje em dia admite que foi injusto? Será que já chegaram a conversar sobre isso?

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Evolução

Apesar da debilidade do adversário, já deu pra notar, contra o Nacional do Paraguai, um Botafogo mais bem arrumado em campo e com determinação redobrada em busca da vitória que lhe garantiu a vaga para as oitavas de final da Sul-Americana, diante do Bahia. Domingo, contra o Atlético Mineiro, pelo Brasileiro, novamente no Nilton Santos, tal evolução será posta à prova, numa parada bem mais difícil. No jogo de ontem, dominou completamente o rival, mas se cansou de perder gols – e ainda acertou a trave duas vezes. Se os botafoguenses fossem um pouquinho melhores, tecnicamente, teria sido uma goleada histórica.

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Voz do povo

Bem-humorada e criativa faixa da torcida do Palmeiras, exibida ontem, no Pacaembu:

“Joguem como bebemos”!