Mistura detestável

Misturar política e futebol é o tipo da coisa que detesto. Me dá engulhos. Por isso, antes da Copa da Rússia, achei tola, ridícula, aquela ideia da camisa vermelha da seleção, com uma foice e um martelo no lugar do escudo da CBF. Por acaso, a seleção representava o Temer, o Aécio, os que foram a favor do impeachment da Dilma ou quem quer que fosse? Balela. Assim como a fantástica seleção do tri não jogava por Médici e Cia. Ora, vão se catar. Como costuma dizer Gérson, o canhotinha de ouro, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E fim de papo.

O tema me veio à cabeça ao ver a nojenta declaração de um político sérvio, condenando um compatriota, o tenista Novak Djokovic, por ter anunciado a sua torcida pelo amigo croata Ivan Rakitic.

“Só os idiotas podem apoiar a Croácia. Você não está envergonhado Novak?” – disparou aquele que é, na verdade, o grande imbecil da história.

Nole, muito mais esclarecido que ele, tem amigos croatas no circuito de tênis e no meio do esporte. Como desfruta da amizade de sérvios, ingleses, espanhóis, russos, brasileiros (vide o carinho com Guga) etc. E daí?

Diferenças ideológicas e mesmo conflitos acontecidos entre países não têm que necessariamente tornar inimigos pessoas de bem, nascidas aqui ou acolá. Ainda mais em tempo de paz. O esporte é pródigo em exemplos de afeição e solidariedade entre as mais diversas nacionalidades, sejam de nações beligerantes ou não.

Nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, o desfile das duas Coreias, lado a lado emocionou o mundo. E nos Jogos do Rio, em 2016, elas competiram sob a mesma bandeira, embora ainda vivam divididas por regimes políticos distintos. O esporte aglutina, não separa.

É igualmente estúpido, o tipo de patrulhamento que existe agora sobre brasileiros que simpatizam esportivamente com a Croácia e pretendem torcer por ela, na nafil de amanhã, contra a França. A alegação é que o regime croata tem tendências nazistas e, por isso, não se deve querer o seu sucesso na Copa. Que baita ignorância.

Pessoalmente, torcerei pela França, não por ideologia ou qualquer outra besteira. Gostaria de ver os franceses campeões porque acho que o time de Mbappé, Pogba e Griezmann mais talentoso que o de Modric, Mandzukic e Rakitic. Mas se os croatas jogarem mais bola na decisão, méritos e parabéns pra ele. Como diziam os antigos locutores, “que vença o melhor”. E os cretinos que misturam política com esporte que vão plantar batatas. Sob qualquer ideologia.