Festival de besteiras rubro-negras

Carpegiani inventou e se deu mal. As inexplicáveis ressurreições de Pará e William Arão no time titular e a improvisação de Éverton na lateral-esquerda foram desastrosas. Do lado direito, mesmo Rodinei não sendo lá um grande lateral é bem melhor que seu concorrente direto. E do esquerdo, a ideia de ter um jogador mais ofensivo, um ala, naufragou no primeiro tempo. Não somou na frente e abriu o buraco por onde o Botafogo marcou o gol. Pra completar a lambança, se era pra usar dois volantes, por que não Cuellar? Junte-se a isso tudo a péssima atuação de Vinícius Jr. e completa-se o quadro de fracasso retumbante das “novidades” do Flamengo. Estava ruim? Pois piorou no segundo tempo, quando Carpegiani inventou de novo: colocou em campo Geuvânio e Marlos Moreno (!!!), batendo o recorde mundial de besteiras num jogo só. Bem armado e organizado, o Botafogo agradeceu, se fechou, venceu e se classificou para a final. Está na hora de o Flamengo procurar um técnico e colocar Carpegiani no cargo de gerente para o qual foi contratado.

Sem lógica

 O Botafogo eliminou o Vasco e foi eliminado pelo Fluminense. Se futebol fosse lógico, o tricolor seria franco favorito diante dos cruz-maltinos. Mas não funciona assim e, mesmo precisando da vitória (o empate classifica o Flu), o time de Zé Ricardo pode, perfeitamente, bater o de Abel e decidir o título estadual. Ainda mais num campeonato tão nivelado (por baixo) como o carioca. Tudo pode acontecer. Principalmente, se Sornoza não jogar.

Só se Lionel encarnar Diego 

A atual seleção argentina pode não ter um grande goleiro, nem uma zaga de respeito, mas do meio pra frente dispõe, inegavelmente, de inúmeros jogadores de alta qualidade – a maioria atuando, com destaque, nas melhores equipes europeias. Isso sem falar no monstruoso Lionel Messi, um dos maiores artistas da bola em todos os tempos. Por que não se acerta? Os técnicos se sucedem e a equipe não se ajeita. Agora, está sob o comando daquele que é considerado, no momento, um dos melhores treinadores do mundo. Jorge Sampaoli. E levou de seis da Espanha... Do jeito que está (faltam pouco mais de dois meses para a Copa), a única possibilidade que vejo para os argentinos disputarem o Mundial da Rússia com possibilidades reais de ganhar o título é que “La Pulga” faça um torneio com atuações à altura de seus melhores shows no Barcelona. Algo semelhante ao que Maradona fez em 1986, carregando nas costas um time mediano, dirigido pelo polêmico, mas bem-sucedido Carlos Bilardo. Aquela Argentina campeã tinha o seguinte time base: Pumpido; Olarticoechea, Brown, Ruggeri, Cuciuffo e Giusti; Héctor Enrique, Sérgio Batista e Burruchaga; Maradona e Valdano. Exceção feita a Don Diego e ao centroavante Jorge Valdano, não há nem sequer um grande nome do futebol da época. Apenas alguns bons jogadores e outros comuns. Messi tem companheiros bem mais qualificados para tentar vencer aquela que pode ser a sua última Copa. Mas se ele não jogar como Dieguito, em 1986, no México, esquece. Sua magnífica galeria de troféus acabará incompleta e na Argentina ele continuará a ser visto, pelos torcedores e jornalistas, como um “espanhol” muito inferior ao maior dez da seleção argentina em todos os tempos.

Punição justa 

A suspensão de Rildo, do Vasco, por até 180 dias ou, no mínimo, pelo tempo que João Paulo, do Botafogo, ficar afastado dos gramados me pareceu perfeita. Intencionalmente ou não, ele fraturou a perna do adversário, com uma entrada, no mínimo, irresponsável pela violência. No ano passado, Fágner, do Corinthians, destruiu o joelho de Éderson, do Flamengo, com uma tesoura criminosa e nem falta foi marcada pelo árbitro Héber Roberto Lopes. Que o exemplo da punição atual frutifique.

Machismo na BBC 

Na semana passada veio a público uma escandalosa questão de machismo, revelada pela supercampeã Martina Navratilova, que descobriu que recebeu da BBC para comentar os jogos de Wimbledon, na TV, no ano passado, dez vezes menos do que John McEnroe, outro veterano monstro das quadras, mas com muito menos títulos que a tcheca naturalizada americana. Martina ganhou 15 mil libras esterlinas (cerca de R$ 60 mil) pelo mesmo trabalho, que pagou ao Big Mac 150 mil libras esterlinas (cerca de R$ 600 mil). Ela comentou os principais jogos da chave feminina e ele os da masculina. Enquanto jogava, Navratilova venceu nove vezes o torneio de simples de Wimbledon. McEnroe, três. Ainda que os jogos das mulheres costumem ter menor audiência que os dos homens, nada, além do machismo, justifica tamanho disparate. Será que Navratilova voltará a ser convidada para comentar na BBC, este ano, em Wimbledon? E se for aceitará ganhar muito menos de novo?

Fórmula Sono 

E o Grande Prêmio da Austrália, hein? Zzzzzzzzzzz...