Os grandes adversários 

O amistoso entre Espanha e Alemanha, que terminou empatado em 1 a 1, foi um jogaço técnica e taticamente falando. De um lado e de outro, a bola rolou de pé em pé, tratada com intimidade e carinho. Pelo que mostrou, “La Roja” já se recuperou do vexame no Brasil e pratica, novamente, o bom futebol que a levou a dois títulos europeus em sequência (2008 e 2012), com uma Copa do Mundo conquistada no meio (2010). Já a Alemanha parece ter evoluído ainda mais, após levantar o caneco por aqui. Seu time ficou mais jovem, mas nem por isso menos letal. São duas candidatas fortíssimas na Rússia. 

Um detalhe interessantíssimo deveria ser levado em conta pelos nossos professores que adoram um “Márcio Araújo” da vida, na cabeça-de-área. Nem espanhóis, nem alemães escalam jogadores desse tipo em seus meios-campos. De um lado e de outro, todo mundo que transitou na intermediária dos dois lados do estádio de Dusseldorf pisou a grama com maciez e arte. A marcação foi sempre exercida através da ocupação de espaços e do futebol bem jogado. Que colírio! 

De todos os que estiveram em ação, dois me chamaram especialmente a atenção: o redivivo veterano Iniesta, que em 2014 já parecia próximo de encerrar a carreira, mas ainda é capaz de jogar pelo menos 45 minutos de um futebol exuberante, e o alemão Sané, que entrou no segundo tempo e tem um estilo jogo extremamente ofensivo e eficiente – quem acompanha os jogos do Manchester City sabe bem do que estou falando. 

Junte-se a eles craques como David Silva, Isco, Khedira e Kroos e o resultado é um belíssimo espetáculo como o que foi visto no amistoso de sexta-feira passada. Se o Brasil quer conquistar o hexa, que se prepare, pois Espanha e Alemanha, certamente, acabarão cruzando o nosso caminho.

Efeito Sampaoli 

Se o Brasil derrotou a Rússia, sem Neymar, a Argentina bateu a desclassificada Itália, poupando Lionel Messi. Ao que tudo indica Jorge Sampaoli já ajeitou a  seleção dos Hermanos à sua forma de jogar, o que é um avanço e tanto, pois seus antecessores não conseguiam dar padrão ao time, que se resumia a um amontoado de bons jogadores em torno de Messi. Um detalhe interessante é a evolução de Manuel Lanzini, que passou pelo Fluminense sem brilho (disputou 42 jogos e fez apenas cinco gols), andou pelo Al-Jazira (igualmente sem destaque) e agora está no West Ham, onde o potencial que seu futebol sempre teve começa a aparecer.

Hora da verdade 

O amistoso do Brasil, ainda sem Neymar, contra os alemães será o grande teste do time de Tite. Contra a frágil seleção russa, o que foi testado foi o ataque e o meio-campo, diante de um esquema extremamente retrancado e que os brasileiros deverão encontrar na primeira fase. Diante dos atuais campeões do mundo, a história deverá ser outra. Se bobearmos, perdemos o jogo, pois a equipe de Joachim Low entra sempre para ganhar. Caso o Brasil tenha um bom desempenho, haverá motivos para otimismo no Mundial, pois com seu principal jogador de volta, o poderio ofensivo brazuca aumentará consideravelmente. Nesse jogo da próxima terça-feira, confesso, estou mais preocupado em ver como se sairá a nossa defesa. Será que Tite terá coragem de escalar apenas Casemiro e Paulinho, ou entrará também com Fernandinho, para “fechar a casinha”? A conferir.

Titica de galinha 

Sabe o que vale, de fato, o título da Taça Rio, que Fluminense e Botafogo disputam hoje à tarde? Uns caraminguás a mais, nesse supra deficitário carioquinha, e a vantagem do empate, na próxima semifinal (mais uma!) para, aí sim, decidir o Estadual – que já não vale grande coisa. Que seja, ao menos, um jogo divertido, como foram os dois últimos Botafogo x Vasco.

Maldito guru 

E o Novak Djokovic, hein? Desde que resolveu contratar o tal guru, depois de ganhar Roland Garros, completando a conquista dos quatro Grand Slam, em sequência (feito que nem Roger Federer e Rafael Nadal foram capazes de realizar), seu jogo simplesmente sumiu! É verdade que passou a sofrer com dores no cotovelo (que acabou operando após o Aberto da Austrália, esse ano. Mas, pra mim, a coisa vai bem mais além. Quem vê Nole em quadra, desde então, percebe que ele perdeu o elã, o foco, o tesão, vamos falar francamente. Seu corpo pode não estar cem por cento, mas a cabeça parece bem pior. Foi-se o prazer de jogar. Que pena! Tomara que um dia ainda seja capaz de recuperá-lo.

Dupla do futuro? 

Neymar e Vinícius Jr. postaram, cada um no seu Instagram, uma foto em que ambos aparecem juntos e sorridentes. Já estarão discutindo uma possível dupla do futuro. Impossível, não é.