Um tempo ruim, outro bom 

O primeiro tempo foi preocupante. Enquanto a limitada seleção da Rússia teve fôlego para manter duas linhas compactas (uma de cinco e a outra de três) à frente de sua área, o Brasil encontrou enormes dificuldades para criar jogadas que ameaçassem de fato o gol de Akinfeev. Depois do intervalo, veio o alívio. A seleção voltou “elétrica” dos vestiários e antes mesmo de Miranda abrir o placar, Douglas Costa, Willian e Philippe Coutinho já tinham criado bons lances, em arrancadas e dribles em direção à baliza contrária. Daí pra frente, tudo ficou mais fácil e o placar de 3 a 0 foi justo e construído sem maiores dificuldades. No balanço geral, foi um bom teste para enfrentar adversários europeus retrancados. A hora da verdade virá no próximo dia 27, contra a Alemanha.

Coadjuvante ou protagonista? 

Paulinho foi o nome do jogo. Desarmou, armou, chegou ao ataque, sofreu pênalti e fez gol. Brilhou mais do que os talentosos Willian e Philippe Coutinho, que tiveram boas atuações, mas não chegaram a desequilibrar, como Tite esperava que acontecesse na ausência de Neymar.

Nove problemático 

Atuação apagadíssima foi a de Gabriel Jesus. Perdeu um gol, logo no início da partida, em belo lançamento de Daniel Alves, que o deixou na cara do goleiro, e desapareceu. Foi substituído por Firmino, que também não fez nada. O comando do ataque preocupa.

Bom retorno 

Quem voltou bem ao time foi Th iago Silva. É verdade que não enfrentou um ataque poderoso (longe disso), mas esteve sempre seguro, deu a cabeçada que originou o primeiro gol (de Miranda) e salvou uma bola russa que ia entrando, depois dos 3 a 0.

Pra quê? 

Você viu Willian José, Talisca e Ismaily em campo? Eu também, não!

Para, professor! 

Na entrevista coletiva, Tite disse que a Rússia procurou “impor o jogo e não apenas se defender”! Ele pensa que somos todos cegos?

Síndrome do arame liso 

No empate em 1 a 1 que classificou o Fluminense para a final da inútil Taça Rio, o Flamengo dominou praticamente todo o jogo, mas esteve mais perto de perder do que ganhar. Novamente, por causa da síndrome de arame liso que acomete o rubro-negro desde os tempos de Zé Ricardo. Cerca, cerca, cerca e... não machuca ninguém!

O tricolor, ao contrário, foi bem mais incisivo e quase sempre chegou com perigo ao gol de Diego Alves. Por isso, mereceu a vaga para decidir com o Botafogo esse segundo turno furreca – depois dele, haverá mais um quadrangular entre os grandes, para definir, aí sim, o campeão do carioquinha mais ridículo dos últimos tempos.

Bode cego 

Nos tempos em que meu pai era vivo e íamos juntos ao futebol (bem antes de eu pensar em me tornar jornalista), ele adorava chamar centroavante botinudo de bode cego. 

É exatamente isso que Henrique Dourado tem sido no ataque do Flamengo. Perdeu dois gols feitos e ainda atrapalhou outro, que Diego estava em condições de fazer, no Fla-Flu. Carpegiani deveria começar a avaliar seriamente a sua barração. E não adianta colocar Felipe Vizeu, que nunca chegou a emplacar e já está com a cabeça na Itália. É hora de Lincoln e Vítor Gabriel. Ao menos até Guerrero voltar.

Sem favoritos 

Este Fluminense e Botafogo de amanhã é imprevisível. Os dois times primam pela aplicação tática e pela velocidade. Acho que a garotada tricolor, comandada pelo equatoriano Sornoza, tem mais talento – gostei muito do lateral Ayrton Lucas, no Fla-Flu. Mas o gás do Glorioso, agora liderado pelo general Igor Rabello, não pode ser menosprezado. Como o jogo não vale grande coisa, tem tudo para ser animado, como foram os dois últimos Botafogo x Vasco e (um pouco menos) o Fla-Flu.

Regime 

Lembra de Paulo Isidoro, o “tiziu”, que jogou no Atlético Mineiro, Santos e seleção? Certo dia, após um jogo, chegou numa pizzaria e pediu:

- Uma pizza grande.

E o garçom:

- Quer que parta em quatro ou em oito pedaços?

- Quatro! Oito, eu não aguento comer, não...

Pano rápido.