'O levante', da Première Latina, é ovacionado em primeiras exibições 

Flme que marca a estreia na direção do brasileiro Raphael Aguinaga 

O Levante, que marca a estreia na direção de longas metragens de Raphael Aguinaga, está fazendo sucesso no Festival do Rio.

O longa teve aplausos em cena aberta e foi aplaudido de pé no final da sessão. Muitos espectadores ainda ficaram no cinema para uma conversa informal com o diretor. Aguinaga contou, por exemplo, que seu avô foi sua fonte inspiradora quando decidiu filmar uma fábula, “portanto a um metro do chão”, sobre o envelhecimento da alma.

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Disse também que seu elenco – formado por 14 atores e atrizes, quase todos da terceira idade – deu uma lição de dignidade e profissionalismo no set. As filmagens aconteceram a 0 grau e, nem por isso, houve atraso, reclamação ou falta de comprometimento. Disse ainda que, para muitos, essa filmagem representou dos últimos trabalhos profissionais em suas carreiras.

Sinopse de O Levante

O que acontece quando um grupo bastante eclético de idosos, confinados num asilo, fica sabendo que a Igreja Católica clonou Jesus, exatamente no mesmo momento em que a rotina do local vira de pernas pro ar por causa das férias e da ausência de um mês da enfermeira que cuida deles? A história avança em cinco partes: Uma Notícia Espetacular; Um Acontecimento Desafortunado; A Terceira Casa de Marte; Operação Vôo da Águia; e O Apocalipse.

A vida no asilo Nossa Senhora da Misericórdia se transforma em caos quando o filho da enfermeira, apelidado pelos velhinhos como A Bruxa, toma o seu lugar na gerência do local e passa a oprimir o grupo, formado por moradores dóceis e pacíficos. Ele lhes tira a TV, a única diversão, deixando-os apenas com um rádio de pilha como contato com o mundo externo. A este grupo oprimido acaba de se juntar uma senhora elegante que, depois de perder o filho, é abandonada na casa por sua nora.

A notícia do clone de Jesus incendeia o asilo, provocando diferentes reações entre novos e veteranos moradores. Alguns se unem decididos a ajudar este novo Jesus em sua missão. O clone desapareceu mundo afora e está pedindo para que todos o ajudem na busca pela cura de uma doença até então incurável. Mas antes, eles precisam se rebelar contra A Bruxa e seus desmandos, superando seus medos e limites físicos para dominá-lo e assim conseguir sair do asilo à procura de Jesus. Durante esta aventura repleta de bom humor, fortes amizades se estabelecem e paixões são despertadas.

Mais sobre o filme, nas palavras do diretor

Ninguém melhor para apresentar O Levante do que o próprio diretor e roteirista que o concebeu, Raphael Aguinaga. Ele explica a gênese e as características do projeto:

“Em 2009, conheci o João Queiroz, que tinha recém-voltado ao Brasil depois de fazer carreira nos estúdios da Universal, em Londres, e estava à procura de um bom roteiro para produzir. Começamos a analisar as opções que tínhamos e decidi fazer o filme na Argentina. O tipo de história que queria contar tinha mais a ver com o cinema argentino; e ao rodar um filme em espanhol, eu estaria acessando um mercado em potencial quatro vezes maior do que para filmes em português, com a possibilidade de o filme circular melhor ao redor do mundo.

O cinema argentino goza de prestígio internacional e possui mão de obra qualificada. Lá, o setor audiovisual é também mais desburocratizado, e o sistema de incentivo governamental me parece mais eficiente. Nos orçamentos que levantamos, o custo de rodar o filme na Argentina ficou pela metade do que se o fizéssemos no Brasil. Esse fato pesou bastante, porque desde o início decidi que financiaria a produção com 100% de recursos próprios. Na minha visão, este é o verdadeiro cinema independente, quando o realizador assume o risco financeiro do projeto. Ou seja, para fazer o filme, não tivemos qualquer tipo de apoio, aporte, investimento ou financiamento, de qualquer entidade, fundo, ONG ou empresa. Agora, com o filme já pronto, estamos buscando mecanismos governamentais na Argentina e no Brasil para cobrir parte dos custos.

A pré-produção do filme começou em fevereiro de 2010 e as filmagens foram feitas em julho e agosto do mesmo ano. As produtoras escolhidas para tocar o projeto na Argentina foram as respeitadas Zarlek Producciones, de Luis Sartor, um dos mais respeitados produtores argentinos, com mais de 28 longas no currículo, e a Dos Medidas, de Hernan Musaluppi, dono também da Rizoma, produtora de sucessos como Whisky, Gigante e Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital.

Ficha técnica

Diretor: Raphael Aguinaga

Roteirista: Raphael Aguinaga

Elenco: Marilu Marini, Arturo Goetz, Luis Margani, Lidia Catalano, Nelly Prince e Pablo Lapadula

Direção de Fotografia: Martin Legrand

Montagem: Rodrigo Lima

Produtores Executivos: Justine Otondo e Luis Sartor

Co-produtores: Querosene Filmes (Brasil), Zarlek Producciones (Argentina), Dos Medidas (Argentina)

Brasil/Argentina, 2011, 95 min

TERÇA, 18/10, às 16h30, no Kinoplex Fashion Mall 1

TERÇA, 18/10, às 21h30, no Kinoplex Fashion Mall 1

QUINTA, dia 20/10, às 17h, no Cine Sesc 2

QUINTA, dia 20/10, às 21h, no Cine Sesc 2