Festival do Rio destaca sete documentários na mostra Retratos

Sete documentários sobre personalidades brasileiras estão sendo exibidos na edição deste ano do Festival do Rio, dentro da série Retratos da mostra Première Brasil. Dois desses filmes de caráter biográfico abordam importantes nomes da cultura do país falecidos nos últimos anos: o teatrólogo Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido, e Abdias Nascimento, que lutou contra o racismo e criou o Teatro Experimental do Negro.

Com cinco exibições programadas no festival, deste domingo (16) a quarta-feira (19), Augusto Boal e o Teatro do Oprimido, filme de Zelito Viana, narra a história do teatrólogo, que morreu em 2009. Em paralelo, o documentário mostra a evolução da maior criação de Boal, o Teatro do Oprimido, hoje presente em 72 países. Ele acreditava que as artes cênicas funcionam como meio de transformação subjetiva do ser humano e de transformação objetiva da sociedade. No Teatro do Oprimido o espectador adquire voz e movimento e pode exprimir desejos e idéias.

Com roteiro e direção de Aída Marques, Abdias Nascimento conta a trajetória revolucionária do pioneiro ativista da luta pela cidadania do negro no Brasil. O filme procura mostrar que as questões levantadas por Abdias nos anos 40 e 50 do século passado ainda fazem parte do cotidiano nacional e ocupam as páginas dos jornais. O documentário também será exibido em cinco sessões, de segunda-feira (17), a quinta-feira (20).

Outros cinco documentários biográficos completam a programação da Première Brasil Retratos, três deles de longa-metragem. Bruta Aventura em Versos, de Leticia Simões, tem como tema a escritora Ana Cristina César, ícone da poesia marginal dos anos 70 no Rio de Janeiro, que se matou em 1983, aos 31 anos de idade. Cena Nua, de Belisário Franca, revela o processo de criação do diretor Amir Haddad e de sua trupe Tá na Rua, que tem como palco a própria cidade do Rio de Janeiro.

Já Salgado Filho – o Herói Esquecido, de Ricky Ferreira, aborda a trajetória de um personagem importante da vida política brasileira. O gaúcho Salgado Filho presidiu o PTB, foi ministro do Trabalho e da Aeronáutica na Era Vargas, criou a Força Aérea Brasileira (FAB) e construiu bases aéreas e aeroportos em todo o país.

O curta-metragem Coutinho repórter, de René Tardin, registra o trabalho de jornalista de um dos principais documentaristas brasileiros, Eduardo Coutinho, que trabalhou nove anos no programa Globo Repórter. Outro curta, A Musa da Minha Rua, de Adolfo Lachtermacher, é uma cinebiografia da atriz Sandra Barsotti, que na década de 70 estrelou vários filmes da pornochanchada carioca.

Na parte competitiva da Première Brasil – integrada este ano por 9 obras de ficção e 8 documentários – pelo menos dois filmes tem caráter biográfico. São os documentários Marighella, de Isa Grinspum Ferraz, sobre a vida do líder comunista Carlos Marighella, com exibições deste sábado (15) a quinta-feira (20), e Marcelo Yuka no caminho das setas, de Daniela Broitman. O filme sobre o músico da banda O Rappa, vítima da violência urbana, teve sua última exibição no festival ontem.

A 13ª edição do Festival do Rio vai até o dia 20, e cerca de 300 filmes da maratona cinematográfica que toma conta da cidade desde 7 ainda podem ser vistos em mais de 40 salas de cinema e espaços culturais.