Argumento de filme novelístico não salva 'A novela das 8'

Roteiro e direção enfraquecem longa, principalmente pela falta de técnica

Muitos  críticos se utilizam do argumento de que um filme é "novelístico" ou tem "estrutura televisiva" para desqualificá-lo. No caso de A novela das 8  (Brasil, 2011), de Odilon Rocha, esse tipo de narrativa seria totalmente justificável, não fossem os outros defeitos do longa.

Ambientado no final da década de 1970, a trama se desenvolve a partir de dois núcleos que se encontram e complementam no final.

Um deles inicialmente parece focar em Amanda (Vanessa Giácomo), prostituta de luxo "especializada" em agentes do alto escalão do governo militar. Mas apenas alguns minutos depois percebemos que a protagonista é sua empregada Dora (Claudia Ohana), uma mulher angustiada e cheia de segredos. O outro núcleo é protagonizado pelo adolescente amante de novelas Caio (Paulo Lontra), que nunca conheceu os pais e, por ser homossexual, vive à sombra dos preconceitos do próprio avô. Já deu pra ver onde tudo isso vai dar, né?

Com um tratamento técnico bem cuidado e bastante apurado, os grandes problemas do filme aparecem mesmo no roteiro e na direção, principalmente na falta de técnica ao justificar o entrelaçamento das histórias principais com as várias subtramas que vão sendo apresentadas.

Temos desde o agente Brandão (Alexandre Nero), que persegue as duas moças de São Paulo ao Rio de Janeiro, até o diplomata João Paulo, que se separa da esposa ao se envolver com Caio. Isso sem contar certos elementos que dão um quê autobiográfico sentimentalóide ao filme.

Resumo da obra: uma colcha de clichês onde a fraca atuação dos menos experientes é salva pelos nomes mais conhecidos e que acaba divertindo a plateia não pelo que é, mas pelo que tenta ser.

Cotação: * (Regular)