'Eu sou Carolyn Parker: a boa, a louca e a bonita' marca presença no Festival

Documentário narra jornada, entre o furacão e a reconstrução da casa

Dos restos materiais e morais deixados pelo furacão Katrina, surge Carolyn Parker, um daqueles seres humanos que enfrentaria de mãos limpas um exército inteiro se tivesse que defender a própria casa e a própria família.

Ela morava no 9º Distrito, área da cidade de Nova Orleans submersa pelas águas de um dique rompido por uma barcaça durante o furacão. 

Tudo o que Carolyn e os dois filhos tinham se foi com as águas. Partes do bairro foram simplesmente varridas do mapa. Carolyn foi a última moradora a deixar o bairro e foi dada como morta. 

Sob recomendação das autoridades, os moradores do 9º distrito deveriam deixar suas casas e não retornar. Carolyn, mais viva que nunca e junto dos dois filhos e do irmão,  não quis saber de "reconstruir a vida em outro lugar" (uma cantilena repetida à exaustão pelo governo local) e, tão logo as águas baixaram, retornou ao imóvel que lhe pertencia. 

Tudo o que tinha não existia mais, exceto pela casa, uma ampla residência de um pavimento, construída em 1859, pela qual se apaixonou perdidamente no início dos anos 70. 

O documentário de Jonathan Demme (diretor de Filadélfia e O Silêncio dos Inocentes, para citar dois) vai além da mera fábula da resiliência e do apego às raízes. Eu Sou Carolyn Parker exibe uma mulher que, como na canção de Rita Lee, é "mais macho que muito homem". Sua jornada, entre o furacão e a reconstrução da casa, não foi banhada em lágrimas e dor, mas em suor, um pouco de sangue e, acredite, alegria. 

Cotação: *** (Ótimo)