Alta Costura tem salvação: continua  revelando novos talentos 

Na loucura que se instalou no calendário da moda, mal acabaram os desfiles masculinos do verão, começou a semana de Alta Costura de inverno em Paris. É sempre a rotina do luxo, cada vez menos ostensivo. Menos bordados, mais investimento em modelos focados no mundo real. Os longos predominam, já que há um belo mercado para eles – até no Brasil, onde as madrinhas e convidadas de noivas precisam pensar nos modelos deste comprimento.

 

Mas vestido longo existe em qualquer marca de prêt-à-porter. A Alta Costura precisa ir mais além, mostrar que continua sendo também um laboratório de novas idéias. Aí entra a Iris van Herpen, holandesa de 28 anos que estudou Design de Moda na ArtEZ, escola de arte em Arnhem, Holanda, estagiou com Alexander McQueen em Londres e desde 2007 trabalha em grife própria. Segundo Iris, “para mim, moda é uma expressão de arte, muito ligada a mim e ao meu corpo. É minha identidade combinada com desejo, humores e cultura. Com meu trabalho pretendo mostrar que a moda não precisa ser apenas funcional. Trazendo formas, estrutura e materiais de uma maneira nova, tento sugerir movimento e tensão”. O desfile confirmou esta proposta de mais arte do que roupa. Iris van Herpen pode ocupar o lugar de Gareth Pugh, o inglês que começa a se integrar no lado mais comercial da moda. No Brasil, o equivalente seria o pernambucano Melk Z-Da, outro talento corajoso, que desbrava novos materiais em coleções quase esculturais.