Tricô de presidiários deslumbra o Dragão 

Marca mineira mostra ponchos e vestidos denoite feitos com projeto de inclusão social

Fortaleza - Ter um trabalho autoral e usar técnicas artesanais são as principais características de quem participa do Dragão Fashion, a semana de moda que se realiza anualmente em Fortaleza. Raquell Gonçalves superou estas especificações, já que faz vestidos, suéteres, casacos e echarpes de tricô com as mãos de presos de uma penitenciária de Minas Gerais. Antes do desfile da sua marca, a Doiselles, foi exibido um filme que mostrou os homens em pleno trabalho, as mãos masculinas produzindo os pontos largos com agulhas grossas. O resultado, visto na passarela, mostrou a beleza do esforço dos homens, que deram depoimentos falando que é difícil dominar as técnicas do tricô, mas para eles significa além da redução de penas, uma oportunidade de trabalho honesto fora das grades.

Raquell Gonçalves encantou a platéia pela história da coleção e a elegância das roupas da Doiselles. Conquistou elogios até da francesa Christine Marrek, editora veterana do canal Paris Premiere, convidada do evento. Antes do desfile da Doiselles, ela declarava que o destaque da semana era o desenvolvimento de coleção ao vivo, como um reality show, pelo designer Jum Nakao. “Valeu a viagem, para ver este projeto. Acho que todas as capitais da moda deviam copiar este modelo”, comentou Marrek, que acompanha os desfiles de Paris, Nova York e Milão desde os anos 1980. Mas depois de assistir aos tricôs da Doiselles, veio correndo declarar “ah, adorei este desfile de tricôs, vi muitas peças lindas! E este trabalho com presos, magnífico!”.

Ontem desfilaram também Mario Queiroz, Vivi Huhn, Sis Couture e a italiana Chicca Lualdi. Lino Villaventura encerrou a noite, com a sala 1 superlotada e aplausos de pé no final.