Dragão Fashion investe na cultura e nacriatividade

A reinvenção dá força paraa semana de moda de Fortaleza    

Nesta semana, o olhar da moda se volta para Fortaleza, onde a roupa é tratada como estrela de desfiles e tema de palestras, workshops e até uma espécie de reality show, dirigido pelo designer Jum Nakao.

Na segunda-feira, a prioridade foi para os desfiles de criadores locais. Nota-se que há um foco parecido com as coleções do sul: a roupa de festa, mais elaborada. A característica local é o toque artesanal, enfatizado na coleção da Kza do Dragão, que une conceitos de designers e de Cláudio Silveira, o diretor do evento, com a habilidade de moradoras da Horizonte, comunidade quilombola do Ceará, e as rendas e crochês de Jericoacoara.

O Dragão Fashion Brasil se afirma como um bom produto pela constante reinvenção, segundo define o próprio Cláudio Silveira. “Queremos sair do básico e do meramente comercial. Importante é divulgar o Nordeste, acreditar na vocação artesanal e no DNA de moda do Ceará”, comentou o organizador

Os desfiles

João Sobarr – modelos de saias e casaquetos montados em pregas origâmicas, arredondadas, sempre com a pala de trench nas costas, que revelam a pele até a cintura. Boas camisas brancas, de mangas arregaçadas. Uma série de vestidos e casacos com interferência de babado enviesado na cintura ou na barra.

Kza do Dragão – artesanato em franjas, bordados e tecidos que lembram rede, mais a participação de modelos top, como Bárbara Berger e Carmelita, neste desfile querido do evento. Um certo excesso de franjados foi o defeitinho, mas tirando este detalhe, havia camisetas de mangas com detalhes de crochê ou aplicações, bem cobiçáveis. O dourado, tema do momento, estava nas suéteres de tricô, dignas de qualquer vitrine do mundo e na saia de crochê, linda.

 Sá Maria – as transparências exageradas desnudaram os seios, mas não impediram que se visse a beleza dos longos de cauda, com rosas aplicadas na barra ou no decote tomara-que-caia. Em brancos, pretos ou vermelhos, um estilo de gala interessante. Desde que se cubram os peitos das usuárias...

 Ivanildo Nunes – muito linda, a coleção inspirada no movimento Art Nouveau e nas folhas de bálsamo, freqüentes nos trabalhos deste tema. É um tal de renda de bilro, renascença, richelieu, mais o refugo de tecidos retorcidos e armações aramadas entremeadas das folhas de bálsamo – o artesanato adquire status de luxo, segundo define Ivanildo. A mistura deu certo, já que as saias de couro, rodadas com pregueados, quebram a delicadeza dos tops de folhas bordadas, tramadas, aplicadas, etc, em preto sobre fundo amarelo. O longo preto, de decote ombro-a-ombro, com saia de panejamentos pretos sobre forro de seda nude, merece um bom tapete vermelho.

 Mar del Castro – aqui, é a praia do luxo. Com estilo perto da Lenny Niemeyer e da Adriana Degréas, a dupla de irmãos André e Rafaela Castro (nascido Rafael, recentemente transformado na bela Rafaela) assina maiôs com drapeados, estampas e folhagens ou de cobras, misturadas com interferências e faixas drapeadas amarelas. Tudo, ao som de forró, com a letra dizendo “é proibido cochilar” e o maracatu falando das “coisas boas da molesta”, obra de Gilvan Magno, autor da ótima trilha.

Ah, mas a Mar del Castro se diferencia das colegas do Sul por um detalhe: a atenção dada aos homens. Para eles, também há moda praia de luxo: sungas de lycra com lurex azul atendem aos que querem brilhar ao sol.